maio 19, 2005

enfermeros en Portugal

Os enfermeiros oriundos de Espanha representam quase 80% dos enfermeiros estrangeiros a trabalhar em Portugal. Este fenómeno de imigração terá sido consequência da carência de enfermeiros no nosso país e da falta de vagas nos serviços de saúde de Espanha. As afinidades históricas, culturais e linguísticas e a proximidade geográfica terão contribuído para esta realidade.

Grande parte dos enfermeiros espanhóis pertencem a grupos etários jovens (26 a 30 anos) que procuram acesso ao primeiro emprego e experiência qualificante que garanta pontuação para candidatura às bolsas de emprego em Espanha.

Com base na dissertação de mestrado da Enfª Sofia Leal, os enfermeiros espanhóis chegam a Portugal com pouca ou nenhuma experiência. Findo o período de integração/formação, os profissionais espanhóis regressam ao seu país.
Ainda que muitos permaneçam por cá, os que regressam a Espanha são em número suficiente para originar:
- suspensão do desenvolvimento de projectos que visam melhorar os cuidados;
- períodos de instabilidade na dinâmica do serviço com a entrada e saída de profissionais;
- dificuldade acrescida nas integrações causada pela falta de elementos antigos com experiência;
- cansaço e frustração nas equipas de enfermeiros provocados pela elevada frequência das integrações. Com efeito, os elementos mais antigos investem na formação e na socialização e, simultaneamente, supervisionam e apoiam os novos elementos. Porém, assim que começam a desempenhar as suas funções autonomamente, abandonam as instituições dando origem à admissão de novos enfermeiros espanhóis.

Apesar da boa aceitação dos utentes e de medidas que possam prolongar o tempo médio de intenção de permanência, a reemigração far-se-à motivada por «família e amigos, melhor salário e qualidade de vida em Espanha, sentimentos patrióticos e melhores condições de trabalho e de progressão na carreira».

Publicado por Cris em 11:32 PM | Comentários (6)

maio 14, 2005

Relato de enfermeira

São duas da manhã de um qualquer fim-de-semana, e, enquanto muitos dormem e outros tantos se divertem, uns quantos lutam contra o sono e o cansaço e vêem os ponteiros do relógio avançar por entre soros, seringas, instrumentos cirúrgicos, fármacos, unidades de sangue e outros objectos que polvilham outra noite de trabalho. Nesta casa grande, velha e cinzentona, que muitos temem e a outros oferece nova esperança, há pessoas cuja profissão consiste em cuidar dos doentes, tratá-los e ouvir as suas queixas - porque o sistema não funciona e se esteve não sei quantas horas para se ser atendido num banco desconfortável quando até se está cheio de dores. Não é fácil trabalhar aqui. São inúmeros os rostos dos que ajudamos a viver, e é por eles que aqui contínuamos, umas vezes mais bem dispostos que outras, mas sempre cá. A qualquer instante desta noite, o telefone toca. Houve um acidente de viação na Segunda Circular e as vítimas virão para o Hospital de Santa Maria (HSM). No serviço de urgência está tudo a postos. A equipa do INEM entrega os sinistrados. Todos os esforços estão agora concentrados em torno de dois seres humanos que se equilibram no trapézio sem rede. Uma das vítimas, após observação, vai de imediato para o bloco opeatório do serviço de urgência. São agora quatro da manhã. Os mesmos rostos, ainda mais cansados, estão dentro da sala operatória por entre batas e toucas verdes, luvas e máscaras que apenas deixam a descoberto o olhar atento ao corpo que deles agora inteiramente depende. Se os anjos-da-guarda existem, então somo-lo para muita gente. São 6h30. O politraumatizado vai para a unidade de cuidados intensivos. Good news are no news. Tornámo-nos conversa de café quando fomos considerados um dos piores hospitais do País. Infelizmente, nós, portugueses, somos assim, gostamos de valorizar o que está menos bem e raramente nos lembramos que, a toda a hora, muita gente reúne esforços para que o jogo da vida se inverta. Foi notícia que somos o quarto pior hospital do País. Mas não foi notícia que recebemos doentes recusados noutros hospitais por falta de meios, nem a quantidade de pacientes que atendemos em média diária na urgência. O nosso bom trabalho não é notícia, mas sem ele muitas seriam sem dúvida as más notícias.

Rita Filipe - 14 de Maio de 2005

In Grande Reportagem nº 227 - Cartas (Revista integrante do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias)

Publicado por geraldinha em 03:48 PM | Comentários (5)

maio 12, 2005

dia internacional do enfermeiro

A data é comemorada mundialmente a 12 de Maio, aniversário de Florence Nightingale, e pretende homenagear a fundadora da enfermagem moderna.

Coração Branco - Símbolo da EnfermagemA enfermeira britânica, de ascendência italiana, destacou-se durante a guerra da Crimeia (1854) ao transformar o modo de funcionamento do hospital militar do exército inglês na Turquia, e ao introduzir mudanças na prestação de cuidados de saúde. Melhorou as condições sanitárias e de higiene e a qualidade de vida dos soldados. Florence Nightingale, em apenas dois anos e juntamente com uma equipa de enfermeiras, conseguiu reduzir significativamente a taxa de mortalidade do hospital provando a importância da profissão.

A fundadora da enfermagem moderna continuou a desenvolver esforços para desenvolver e primover a profissão. Em 1860 fundou a primeira escola de enfermagem, no St. Thomas Hospital, em Londres.

Presentemente, a enfermagem é uma profissão científica, dotada dum corpo de conhecimentos e de competências que visa promover a saúde dos indivíduos e das comunidades, ao longo do ciclo vital.

Publicado por Cris em 12:06 AM | Comentários (5)

maio 08, 2005

Criancices VI

Hoje recebi uma criança de 5 anos de idade, vítima de acidente de viação, da qual resultou traumatismo craneano.
A médica foi observando, e perguntou à mãe: "Ela perdeu a consciência?... Desmaiou?"
E a criança respondeu de imediato: "Não, mas perdi a bandelete!"

Publicado por geraldinha em 12:40 AM | Comentários (11)