... na vida da Encantada

Viver é nascer lentamente
Antoine de Saint-Exupéry
Aborrece-me receber mails com pretensos apelos de solidariedade. Já não bastava o spam a encher a caixa do correio e agora estes pedidos alarmistas e quase sempre falsos. Os que são verdadeiros também me incomodam porque revelam a grande angústia dos familiares e amigos. Compreendo que os amigos queiram contribuir, mas não é através destas mensagens que se conseguem mais dadores de medula óssea ou de sangue.
Há ainda aquelas mensagens alegadamente científicas que chamam a atenção para produtos com propriedades cancerígenas, outras que apregoam formas to improve sales, e outras que anunciam a venda de medicamentos (de todo o género), e outras ainda que fazem circular legítimas petições como a do concerto extra dos U2.
Seja como for, apago-as todas, e em primeiro lugar as que dizem «passe esta informação para o maior número possível de pessoas».
Para quem, como eu, vê a sua caixa de correio pejada de mensagens hoax, convém, acima de tudo, quebrar a cadeia de comunicação e não as reencaminhar.
Hoje de manhã (e após uma noite de trabalho daquelas...), chegada a casa, tocam-me à campaínha. Fui atender e qual não é o meu espanto, aparece-me uma senhora com uma daquelas "gravações automáticas" (versão brasileira) e sorriso de orelha a orelha: "Bom dia! Eu sou a fulana tal da Tele2 e queria fazer-lhe umas perguntinhas...".
Respondi à senhora que não estava interessada, que tinha feito noite e que só me queria ir deitar... portanto, se me desse licença...
E a fulana tem a lata de me dizer: "Saíu de noite?... Esteve passeando foi?"
Escritora inglesa, nasceu em 1890, em Torquay, Inglaterra, e morreu em 1976, um ano depois de ter publicado a sua última novela.
Agatha Christie começou a escrever ficção enquanto trabalhava como enfermeira da Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial. Durante essa época, desenvolveu conhecimentos sobre drogas e venenos, que se tornaram de enorme utilidade para a sua carreira literária.
Casou-se pela primeira vez em 1914 com o Coronel da Força Aérea, Archibald Christie, de quem se divorciou em 1928. Em 1930, conheceu e casou com o arqueólogo inglês Sir Max Mallowan. A autora acompanhou o marido em várias expedições ao Iraque e à Síria, de onde terá recolhido material para diversas obras suas.
No seu primeiro romance, The Mysterious Affair at Styles, de 1920, nasceu a personagem extravagante e carismática do detective Hercule Poirot. Mais tarde, a senhora Jane Marple tornou-se uma outra personagem conhecida das suas histórias.
A sua peça «A Ratoeira», The Mousetrap, está em cartaz no London's West End desde sua estreia em 1952, tornando-se a peça que mais tempo ficou em cartaz.
Agatha Christie é uma das mais populares escritoras de sempre, conhecida internacionalmente pelas suas histórias policiais que venderam centenas de milhões de exemplares.
De um e-mail que a colega Natércia enviou:
Ao chegar a um local público deparei-me com uma senhora de 60 anos em paragem cardio-respiratória. Embora tenha muito pouca prática, e frequente apenas o primeiro ano do curso, avancei para ela sem hesitar e, tendo em conta que estava completamente cianosada, como se morta estivesse, prossegui com a massagem cardíaca já iniciada por um senhor desesperado e dei-lhe apenas uma insuflação até que senti pulso.
Sobreviveu a um AVC, encontra-se em observações no hospital mas está viva. Revivo a cena na minha cabeça vezes sem conta pensando o que mais poderia ter feito, e o que me falta aprender. Fico nervosa só de pensar no que se passou.
Ao ajudar os bombeiros que chegaram pouco tempo depois de mim, pergunto-me porque razão não ia um médico e um enfermeiro na ambulância e rapidamente chego a uma conclusão: quem ligou para o 112 (ou para os bombeiros) não avaliou bem a situação e nunca pensou que era uma caso de vida ou morte, tanto que o conselho dado foi colocar a senhora em PLS quando era necessário reanimá-la!
Que poderemos nós fazer para sensibilizar as pessoas para o SBV (suporte básico de vida). Não deveria isto ser ensinado nas escolas?! Nem eu sei bem o que fazer! Fiquei muito emocionada com tudo o que se passou e cada vez estou mais convicta no que quero fazer!
Como já tive oportunidade de comentar, a inaptidão do cidadão comum para actuar em situação de emergência é chocante. Em certos países, as crianças têm formação em suporte básico de vida e são capazes de realizar manobras de reanimação. Por cá, as lacunas a nível da formação/educação são muitas, e esta é apenas mais uma ...
Sou enfermeira há quatro anos e trabalho num serviço de medicina do Hospital de Santa Maria. Venho expor deste modo a falta de condições a nível de pessoal, material de consumo clínico e até de medicação, uma vez que a administração e a direcção de enfermagem parecem impotentes para resolver os problemas e não aceitam as reivindicações dos trabalhadores.
Nos serviços de medicina, com a lotação oficial de 22 doentes em camas, lutamos diariamente para conseguir satisfazer as necessidades mínimas dos doentes, uma vez que estamos constantemente com sobrelotacao, ou seja, temos todos os dias até 10 ou 15 doentes a mais, em macas no corredor.
Somos os mesmos enfermeiros, médicos e auxiliares para toda esta gente e temos ao nosso dispor uns escassos cinco suportes de soro, umas 6 ou 7 balas de oxigénio, três biombos e quatro mesas de refeição para os doentes em macas.
Com este panorama não se admire se for visitar um familiar ou amigo e este tenha que esperar uma hora por uma arrastadeira ou que o vão buscar a um exame. Não se admire se o doente estiver sem pijama porque há falta de roupa ou de esperar que um doente do lado coma para que este use os talheres a seguir.
Sentimos frustração por não conseguirmos atender a toda a gente no devido tempo, e por vermos que, por vezes, os doentes não reconhecem o nosso esforço para levar as coisas a bom termo, além de que as respostas institucionais são escassas, de simpatia para com o nosso esforço, contudo as chefias não conseguem ou não querem mudar a situação dos doentes internados em maca.
Apelo a todos para que lutem e reclamem por melhores condições assistenciais aos doentes internados nos serviços de medicina, mas que compreendam que quem lá trabalha todos os dias faz o seu melhor e dá tudo por tudo pelos doentes mas todos os dias se confronta também com reclamações, ofensas e falta de condições de trabalho.
Manuela Miranda - Sexta, 18 Fev 2005
in Visão - Correio do leitor