Agora percebo o sentido desta frase, é por causa do G.R.A. (Grande Raccordo Anulare).
O tempo de que disponho e o cansaço impedem-me de vos transmitir as sensaçoes que esta viagem tem provocado.
No entanto, certas coisas que tenho testemunhado (algumas relatadas pela minha cara metade) fazem-me dar mais valor a Lisboa.
Estou em Veneza. Parto amanha para Roma.
Sigam as aventuras e desventuras aqui.
Ate breve. Ciao.
ENFERMARIA
É uma estátua de febre o que habita aqui.
É uma dor o que dizem os teus olhos.
O coração desenha uma linha quase plana,
Um caminho que estremece levemente.
Toda esta mecânica à tua volta venera a
eternidade do sol
mas aí estás sem mover os lábios e as mãos
e os músculos atados pelas cordas da vida.
Quebrado está o sono.
Uma flauta de cordilheiras tristes ecoa nos
pátios onde não voltarás a acariciar os
cachos antigos.
Agora, o soro procura-te.
Fecham-se as cortinas. O silêncio levanta-se.
José Agostinho Baptista,
in Agora e na Hora da Nossa Morte,
Assírio & Alvim, Outubro de 1998
De vez em quando um doente resolve fazer exigências impossíveis de satisfazer ou mesmo agredir física e verbalmente um enfermeiro. Seria aceitável, discutível e, no mínimo, propício à reflexão, se partissem exclusivamente de pessoas cujas vidas são ameaçadas por doenças crónicas e incapacitantes.
Contudo, este tipo de comportamento parece estar a revelar uma tendência que atravessa toda a sociedade e que se caracteriza por falta de respeito, de empatia, de compreensão e de solidariedade para com os outros.
A violência parece ser a forma mais rápida e eficaz para conseguir um lugar no estacionamento, na fila do supermercado ou simplesmente, para conseguir um lugar ao sol.
A violência num contexto relacional, como o é nos serviços de saúde, abrange tipos de acções que se diferenciam em violência física e psicológica e violência intencional ou não intencional, com vários graus de gravidade. Todo e qualquer acto de agressão resulta em danos físicos e psicológicos para o agredido.
Um estudo levado a cabo pelo International Council of Nurses e outras organizações internacionais, revela que em Portugal, os enfermeiros são as principais vítimas de actos de violência sobre os profissionais de saúde nos respectivos locais de trabalho. Na grande maioria dos casos os autores são doentes ou familiares de doentes. E mais de 70 por cento das agressões físicas nos hospitais, têm por alvo enfermeiros.
As consequências desta onda generalizada de violência repercutem-se directamente na qualidade dos cuidados de saúde, dado que os profissionais agredidos e as testemunhas ficam sujeitos a elevados níveis de stress pós-traumático.
Perante a dimensão do problema urge tomar medidas para prevenir, intervir e eliminar a violência dos locais de prestação de cuidados de saúde.