Dia 27/05/04
Hoje fartamo-nos de andar!
Comecamos por ir a Waterloo, onde revivemos a batalha atraves do museu, filme, etc.
Depois fomos ate a Technopolis, um centro de ciencia para criancas dos 6 aos 96 anos, onde se pode compreender como funciona tudo o que nos rodeia.
Continuamos para Leuven, uma cidadezinha simpatica, e fomos jantar a
Dia 26/05/04
Saimos de Brugge cerca das 9h em direccao a Ghent. Ia com algumas expectativas em relacao a esta cidade, com historias do tempo medieval. Mas afinal foi uma desilusao... Para quem vem de Brugge... Uma cidade escura... E nao tao acolhedora quanto a defendem.
Por la almocamos e depois dirigimo-nos a Bruxelles. Uma grande cidade, mas bastante acolhedora. Sem qualquer problema e de sorriso nos labios dao-nos as informacoes que pedimos. Uma volta pelo centro a ver as coisas da praxe, uma cerveja numa esplanada, jantamos e de volta a pousada. Foi um dia cansativo.
Dia 25/05/04 - Brugge
Hoje decidimos ir fazer um passeio de bicicleta pelo campo; ar puro, ambiente saudavel...
No fim do dia, a frase de eleicao foi: "'Tou que nem posso!"
Dia 24/05/04 - Brugge
Depois de um belo banho e de uma noite bem dormida numa cama, eis que acordamos cheias de energia para conhecer a cidade.
E um local pitoresco e muito agradavel. Os seus canais, a arquitectura e as bicicletas fazem lembrar Amsterdao, mas sem confusao.
Andamos de ruela em ruela e fomos ao posto de turismo buscar umas brochuras. Visitamos o museu do chocolate (Choco-Story) e ate tivemos direito a provas!
Uma paragem para almoco numa bela esplanada num dia de sol! Que mais se pode querer?
Assistimos a um acidente de bicicleta, do condutor sozinho. Podemos dizer que os belgas sao muito eficientes! O trambolhao foi grande, mas nao sei se precisava de tanto aparato... Passados 5 minutos estava uma ambulancia no local...
Bem, la seguimos viagem... Uma volta de barco pelos canais, a visita a mais alguns locais e a passagem pelo The coffee link para mandar uns mails. E vamos para a pousada dormir a sesta do fim da tarde antes de voltarmos a cidade para jantar e tirar mais umas fotos.
A noite escura tarda em chegar. Esta um ceu ainda claro que, com os ultimos raios de sol, faz sobressair os laranjas dos edificios.
Dia 23/05/04
Saida de Anglet as 8h15, apos um acordar o mais descadeirado possivel... Mas pelo menos dormimos quentinhas...
Uma ultima vista de olhos ao mar "et voila", seguimos caminho.
Apos muitos km, e depois da merecida sesta, preparamos as coisas para seguir caminho, desta vez rumo a Paris (depois ja falta pouco...) Tomei as diligencias necessarias para me mandarem a carta de conducao para Bruxelas.
A Cissi ja se queixa do maxilar (ela tem andado com dor de dentes) e eu espero que lhe passe e que nao tenha de a picar para lhe dar o analgesico pela veia (ela tem umas veias pessimas...). Viemos de férias todas rotas!. Ela de ressaca de uma dor de dentes daquelas, e eu rouquissima, depois de ter estado afonica e com uma laringite (ando sempre constipada... nao ha puto que nao me tussa em cima... quando e que aprendem a por a maozinha a frente?)
Bem, o transito foi mais que muito... horas e horas de fila... e, claro esta, que isto nos fez atrasar... Ao chegar a Brugge telefonamos para a pousada a informar que nao sabiamos se conseguiamos chegar a tempo, e o que nos responde a simpatica senhora?
«Tem 10 minutos! Depois fecho! Perguntem a alguem o caminho.»
Se se visse alguem na rua, isto ate podia ser tarefa facil... Mas la demos com a pousada no ultimo minuto...
Eu e a Cissi decidimos tirar ferias juntas e optamos por fazer uma viagem de carro a Belgica, Luxemburgo e Holanda. Era para vir mais uma colega que entretanto teve um imprevisto e nao o pode fazer.
Como ja devem ter percebido nao ha teclados com acentos nestas bandas.
Vamos tentar deixar neste espaco as nossas impressoes sob o titulo «Diario de Bordo» para podermos mais tarde recordar. Estamos um pouco atrasadas quanto ao tempo real...
Partida de Lisboa as 7h45 (partida com 1h45 de atraso porque me deixei dormir e a Cissi esteve a seca...)
Compramos pao fresco, um bolo para a minha dieta e abastecemos de gasoleo. As 10h35 passamos a fronteira e so paramos em Valladolid para almocar por volta das 14h; uma mija, um cochilo e continuamos para a proxima etapa. Descobrimos, quase a entrar em Franca, que me tinha esquecido da carta de conducao!
– Nem acredito nisto! Eu que ate me considero uma rapariga minimamente responsavel...
A partir daqui trouxe a Cissi o carro. Estava a portar-se muito bem, ate ter uma saida de loura:
– Esta estrada e tao larga...
– Nao, tem duas faixas! – respondi.
As 19h30 entramos em Franca, e eis que chegou o segundo momento de relax do dia: fotografar o por-do-sol em Biarritz! (O primeiro tinha sido a sesta). E la partimos a procura da pousada da juventude que tinhamos reservado num local bem pertinho, em Anglet. Ninguem nos soube explicar onde ficava e a sinalizacao tambem nao ajudava... Finalmente chegamos... Meia hora apos encerrar a recepcao... E ja nao havia la ninguem... Tinhamos uma reserva paga... Estavamos estoiradas... A Cissi sonhava com uma cama e um banho quente... E eu ja estava por tudo...
Preparamos o jantar, fizemos cafezinho e orientamos os sacos-cama no carro... (o que vale e que estavamos a contar acampar dois dias...)
O envelhecimento é associado a uma etapa da vida caracterizada pela deterioração do corpo, pelo declínio. Esta visão depreciativa da velhice prevalece na cultura ocidental onde se valoriza a produção, o rendimento, a beleza e a juventude. Surge a partir da ideia de perda: perda de papéis sociais, perda de autonomia, perda de capacidades intelectuais.
É um fenómeno profundamente influenciado pelos valores sociais e culturais.
Noutras culturas, como a dos Bambara do Mali, a velhice é uma conquista. O envelhecimento é um processo de crescimento que ensina, enriquece e enobrece. Ter envelhecido significa ter criado filhos e netos, ter conquistado e acumulado conhecimento através da experiência.
Os Nuer, grupo étnico do Sudão, determinam o seu estatuto de superioridade, igualdade ou inferioridade frente aos outros, em função da classe de idade a que pertencem: os membros de uma classe de idade devem respeito e deferência aos da classe anterior.
Os Cuiva, uma população indígena da Colômbia, negam todas as formas de envelhecimento e preocupam-se com a igualdade e homogeneidade com que estruturam a sociedade. Entre os Cuiva não existe espaço social para os velhos nem ninguém é excluído de qualquer actividade: depois de sair da infância o indíviduo integra o grupo de adultos onde permanece até à morte. Na sociedade Cuiva ninguém é considerado velho demais para produzir, casar ou decidir.
Nesta sociedade que tanto prezamos é frequente escutarmos pessoas que dizem sentir-se inúteis e impotentes nos corpos velhos e doentes.
Quanto tempo, quantas gerações serão necessárias para atribuir à velhice o poder, o elevado papel social que a distingue?
Um amigo meu, a quem foi diagnosticada uma doença oncológica, fez um depósito de esperma antes de iniciar a quimioterapia. Passado o período de tratamento, entrou em remissão completa. Feliz com o resultado, desejou recuperar rapidamente o tempo perdido recorrendo ao esperma depositado. Não queria esperar que os efeitos da quimioterapia sobre os espermatozóides se dissipassem naturalmente (6 meses a 2 anos, foi o tempo recomendado) e, para salvaguardar anomalias, desejou utilizar o seu depósito de esperma. Não foi possível. O seu esperma congelado só poderia ser-lhe útil se a fecundação natural ou normal – como queiram chamar-lhe – não se concretizasse.
Quem formulou este tipo de regras não tem em consideração as necessidades particulares dos sobreviventes ao cancro. É que a transição de doente para sobrevivente ao cancro é quase sempre caracterizada por um período de ambivalência, de incerteza quanto ao futuro, de ajustamento a sequelas físicas, psíquicas e sociais.
O meu amigo só queria retomar o seu percurso normal de vida, só queria ser pai... Porque agora há tempo...

Começa tudo na véspera do tratamento: as náuseas, os vómitos, o mal-estar. A atitude modifica-se e mostra-se irritada, irascível. Responde mal à mãe e rejeita a aproximação da pequena irmã.
No dia do tratamento, a saliva acumula-se na boca, o estômago revolve-se, o frio percorre-lhe o corpo. Não suporta cores ou cheiros intensos que lhe lembrem a quimioterapia, a doença.
Durante o tratamento entrega-se a um silêncio abismal, encerra os olhos deixando escapar, de tempos a tempos, algumas lágrimas.
Hoje foi diferente. A manhã foi animada por uma contadora de histórias repletas de animais, estrelas e sonhos. Os olhos abriram-se e, de tempos a tempos, os lábios moveram-se num sorriso luminoso e brilhante como os pirilampos da história contada.
Há duas semanas adoeci. Antes de completamente recuperada resolvi regressar ao trabalho, até porque antevia uma semana complicada, com acções de formação de permeio, nas quais tinha aceitado participar.
No 3º dia do meu regresso, começaram umas obras de instalação de ar comprimido e oxigénio no meu serviço. No 4º dia, após terem usado umas tintas estranhas, senti-me mal: os meus olhos ardiam e a garganta latejava. Pedi por favor, para continuarem as obras mais tarde, ao que alguém me respondeu que não seria possível pois o hospital não pagava horas extraordinárias, pelo que os trabalhos teriam que ser efectuados no horário de expediente...
Fiquei novamente doente mas, com alguma dificuldade, consegui cumprir com o que tinha assumido.
O que eu estranhei foi ninguém ter reclamado. Os doentes amontoaram-se no corredor e numa pequena sala enquanto as obras decorriam. Foram expostos aos mesmos produtos químicos e poeiras que eu, não foram condignamente tratados e ninguém teve clarividência suficiente para pôr termo à situação.
Quando não se ostenta um sorriso no rosto, quando não se resolve um problema atempadamente, por tudo e por nada, os olhares de reprovação caem sobre nós e todos reclamam. Nesta situação acharam normal aspirarem poeiras, serem expostos a cheiros intensos e desagradáveis enquanto se acotovelavam num espaço exíguo.
Que ideia terão os doentes dum bom atendimento? É que ser bem tratado não significa ser rapidamente atendido.
E que lógica é esta que pretere os interesses e o bem-estar dos doentes a favor de questões de índole economicista? Que cidadãos somos nós quando consentimos que nos tratem assim?
Há turnos de pôr qualquer um com os cabelos em pé!
Há dias em que até se pode sair de casa na melhor das disposições, descontraidamente, mas quando se chega ao local de trabalho e se vê que está "tudo de pantanas", que as coisas correm menos bem, que o caos se instala e que temos de fazer o impossível por manter a cabeça fria...
Enfim!
Naqueles dias em que mal entramos no serviço, já está muita gente "desorientada" (para não falar em crises de histeria) por causa da fila de espera, e porque o vizinho do lado chegou depois e já foi atendido e eles não... Nem sempre as pessoas compreendem que há certas situações que são prioritárias.
Também muitas das situações que recorrem à urgência, não são situações de urgência...
Todos sabemos que os serviços de saúde no nosso país não funcionam bem, e tem de se reconhecer que se espera muito tempo tempo nos hospitais...
Mas há certas situações... Quando aparecem a reclamar, aqueles paizinhos, que vieram a correr para o hospital porque a criança vomitou uma vez, ou porque fez febre de 38ºC agora mesmo, e nem sequer fez nada para baixar a febre, ou porque tem uma dor há um mês e só agora teve tempo de cá vir... Tudo isto no meio da confusão... É complicado de gerir!
E toda a minha gente tem pressa!
– Está muita gente, é? Mas se acha que não é nada de especial vou-me embora...
– Não, agora vai esperar pela sua vez e ser observado como os outros...
– Mas veja lá... Isto parece ser uma coisa simples... Ainda tenho tanta coisa para fazer...
Quando vamos ao banco ou ao supermercado, esperamos pela nossa vez e não reclamamos, nem agredimos quem nos está a atender... (sim, porque as agressões e as ameaças são frequentes... E ainda dizem que não somos profissão de risco...)
Bem, mas se continuarmos a observar o panorama, e virmos que temos 3 ou 4 crianças para tirar sangue, a gritar e espernear como é habitual nestas situações, o que dificulta desde já a concentração, e tivermos a mãe a buzinar-nos ao ouvido: "Ai coitadinho! Isso faz tanta impressão! Não aperte tanto... Ainda não chega? Vai picar outra vez? Porque é que isso aconteceu? Não é melhor chamar outra pessoa para fazer isso?"
E entretanto a criança "berra", a chupeta cai... e quando finalmente conseguimos picar, sujamo-nos com sangue (um dia, é dia...).
E quando damos conta, já há um "monte" de recados: Um para ir à TAC, outro que está há imenso tempo para fazer chichi e tem de ser agora, outro que tem fome, os pais do outro que querem saber dos resultados das análises... entretanto alguém vomita no meio do corredor (às vezes é preciso uma coisa destas para deixar o corredor mais livre), é preciso encontrar a sra. da limpeza... e já lá vem o porteiro atrás de algum pai a dizer que só pode entrar uma pessoa, e novamente o computador avaria e é preciso localizar o pessoal da informática...
E toda a gente quer tudo ao mesmo tempo... e nós só temos duas mãos...
No meio de tudo isto, já os pais se juntam no corredor em amena cavaqueira trocando ideias sobre o que os trouxe ao hospital enquanto as crianças correm ou brincam sentadas no chão...
Ser enfermeiro nem sempre é fácil...
Antiode à tristeza
Ó enfermeira sem som do olhar sem cor
Que refletida ao último infinito
Pela lúcida insânia dos espelhos
Passeias pelo imenso corredor
Desta antiga Irmandade! Ó sonolenta
Irmã-sem-Caridade, que vagueias
Com tuas leves sandálias de silêncio
Cuidando com desvelo da saudade
E dos males de amor de cada enfermo!
Ó guardiã do ermo, provedora
De langor, que pelo imenso corredor
Deste hospital sem termo, te comprazes
Em deitar éter sobre o sofrimento
Dos que querem viver, e dar morfina
Aos que morrem de amor! Ó freira louca
Irmã-sem-Fé, a desfiar, ausente
Teu rosário sem fim de contas ocas!
Ó trânsfuga da vida, esmaecida
Monja: o que queres mais de mim?
Já não te dei meus dias, minhas noites
E até minhas auroras, não te dei?
Já te mandei embora? Não fui sempre
Teu melhor paciente, e o mais antigo?
Não fui amigo teu, mesmo doente
De ti, não fui, Madre desoladora?
Pois agora te digo: vai-te embora!
Afasta-te de mim! não mais te quero
Irmã-sem-Esperança, confessora
Sem perdão, de quem mais nada espero
Senão vazio e angústia. Irmã-sem-Dor
Com teu rosário e teu burel de cinzas
A empoeirar de tédio as minhas horas.
Vai predicar além, predicadora
Da voz ausente, vai! que se me voltas
Eu grito nomes feios, eu te espanco
Ou te enforco em teu terço de mil voltas
Ou caio na risada, ou te exorcizo
Com um gigantesco crucifixo branco
Onde, transverberando luz do flanco
Resplende o corpo nu da minha amada!
Montevidéu, 08.11.1958
in Poesia completa e prosa: "A lua de Montevidéu"
"Eu não consigo fazer chichi para a garrafinha, porque não dá para sacudir."
(Menino de 5 anos referindo-se a um urinol)
Gosto de dar atenção às pequenas coisas.
Às vezes gosto de me colocar à distância, nem que seja por uns segundos, e ver toda a gente a conversar. Sinto-me bem por ver que os doentes se sentem bem e se dispõem a trocar banalidades com os profissionais de saúde.
Gosto de ir à sala de espera chamar o doente, rejeitando aquele aparelho terrível que toca duas vezes antes de se ouvir um nome. Gosto de o acompanhar até à sala de tratamento e ir desvanecendo os medos, as dúvidas. Ou, quando são doentes conhecidos, de perguntar como estão, como está o marido, a mulher, os filhos, os netos. Gosto de me sentar ao lado deles e ver as fotografias do casamento, do baptizado, dos netos recém-nascidos e até do animal de estimação. Contam-me coisas das suas vidas e eu escuto, escuto com muita atenção, porque acredito que o doente não se resume à doença que o traz ao meu serviço.
O Sr. Manuel, reformado da aviação, gosta de me explicar os acidentes aéreos, provocados quase sempre por erro humano, e por entre flaps, trens de aterragem e outras coisas complicadas, vou percebendo que os pilotos têm que tomar decisões difíceis e estão sujeitos a muita pressão.
A D. Edite gosta de me contar que o jardim dela está lindo, mas se não fosse ela a explicar como se plantam as cameleiras, as roseiras, os malmequeres, o jardim não seria o encanto que é.
O Sr. Esteves esteve internado muito tempo, perdeu 30 quilos e emocionou-se quando o fui ver ao internamento. Veio-me dizer que teve muitas saudades nossas e que já tem um novo leque de anedotas para nos contar.
A Cláudia conta-me o último espectáculo de stand-up comedy que foi ver com o namorado.
O Sr. Antunes é jornalista e, como tantos outros jornalistas, esteve ao lado de Salgueiro Maia, no 25 de Abril, e sabe de cor as palavras proferidas pelo capitão.
Parafraseando Walter Hesbeen, cada pessoa é uma vida feita de projectos, de desejos, de prazeres, de riscos, de alegrias e de dores, de fontes de motivação, de decepção mas também de esperança...

"Olha, quero tirar esta coisa do nariz porque não dá para tirar macacos!"
(Criança de 3 anos referindo-se a uma sonda nasogástrica)