fevereiro 29, 2004

Reflexões

A sociedade exige cada vez mais de nós, em todo e qualquer lado (cada vez mais e melhor). Perante esta exigência, este stress do dia-a-dia, existem locais onde vamos para carregar baterias. Locais com que nos identificamos, que nos transmitem calma, que nos relaxam e que nos fazem sentir livres de preocupações.

Tal como certas pessoas que estão sempre ali para o que der e vier, que nos apoiam incondicionalmente, que tornam a vida muito mais fácil, não posso deixar de referir a música, que, sempre presente, nos faz sonhar e acreditar que tudo é possível.

Publicado por Cissi em 10:22 PM | Comentários (4)

fevereiro 28, 2004

educação sexual

A discussão em torno do aborto está, de novo, em voga. Pessoalmente, duvido que a breve trecho, se registem quaisquer alterações significativas. Entretanto, todo e qualquer barulho, leia-se debate, contribui para clarificar, inovar e renovar ideias. Mas não é do aborto que quero falar, isso é só a ponta da meada.

Gostava de chamar a atenção para as questões levantadas pela Visão e para as afirmações de Daniel Sampaio, na revista XIS, suplemento do Público.

O psiquiatra mostra-se preocupado com a quase ausente educação sexual escolar, defendendo «uma disciplina obrigatória de Educação para a Saúde do 7º ao 12º ano, que contemplasse questões essenciais da saúde dos jovens... e na qual deveria ser incluída uma forte componente de educação para a sexualidade». A questão da interrupção voluntária da gravidez é discutida com leviandade, comenta Daniel Sampaio, esquecendo que o problema deve ser tratado antes, através de um plano de Educação para a Saúde coerente.

Paralelamente, a revista VISÃO descreve a realidade da educação sexual no nosso país:
• Portugal é o país da UE com maior número de jovens infectados pelo HIV e o segundo com maior taxa de mães adolescentes;
• Muitas escolas e professores desconhecem a obrigação da inclusão da Educação Sexual nos planos curriculares.

Num aspecto há consenso: todos concordam que é necessário promover a educação sexual e o planeamento familiar. Até porque os indícios demonstram uma população jovem ignorante em termos de sexualidade e de doenças sexualmente transmissíveis.

A minha experiência como enfermeira diz-me também que muitas pessoas aparentemente elucidadas, têm comportamentos de risco, contaminando e sendo contaminadas pelo HIV. A sexualidade continua envolta em ignorância e silêncio. Os educadores – pais e professores, essencialmente – desprezam muitas vezes a sua responsabilidade. Há muito a fazer e, sobretudo, a explicar. É preciso dar início a uma informação clara sobre as questões da sexualidade, como diz Daniel Sampaio, que «não se limite ao dia da SIDA ou a uma campanha de férias nas praias».

Publicado por Cris em 10:33 PM | Comentários (2)

fevereiro 24, 2004

«No corredor também se morre»

Os enfermeiros do Hospital S. Bernardo (SA), Setúbal, denunciam as péssimas condições de trabalho, a ameaça da integridade física, a falta de equipamentos e de um sistema de triagem, enfim, a inexistência de «condições mínimas para exercer a enfermagem». Por isso, anunciam «não poder continuar a prestar cuidados a estes doentes a partir de 1 de Março de 2004».

A noção de que os enfermeiros nada têm a dizer sobre os cuidados prestados à população, caiu ou está por pouco. Mostrar que os enfermeiros também têm a responsabilidade de fornecer informação sobre o que se passa nos serviços, foi o primeiro objectivo conseguido com esta notícia.

O que me surpreende é que não lhe sucedam outras iniciativas do género. Decerto os enfermeiros do serviço de urgência do Hospital S. Bernardo não são os únicos a confrontar-se com escassos recursos humanos e materiais, com condições de trabalho que ameaçam a integridade dos doentes e profissionais, enquanto os gestores se passeiam em viaturas topo de gama.

Estávamos mesmo a precisar dum S. Bernardo para nos salvar...

Publicado por Cris em 10:00 PM | Comentários (4)

fevereiro 22, 2004

enfermeiros na poesia - I

Qual é a tarde por achar
Em que teremos todos razão
E respiraremos o bom ar
Da alameda sendo verão,

Ou, sendo inverno, baste 'star
Ao pé do sossego ou do fogão?
Qual é a tarde por voltar?
Essa tarde houve, e agora não.

Qual é a mão cariciosa
Que há-de ser enfermeira minha —
Sem doenças minha vida ousa —
Oh, essa mão é morta e osso...
Só a lembrança me acarinha
O coração com que não posso.

Fernando Pessoa
Poemas Inéditos

Publicado por Cris em 01:53 AM | Comentários (1)

fevereiro 21, 2004

vale tudo

conflit21.gifEnfrentar situações de conflito é algo muito comum entre enfermeiros cujo actividade se baseia, fundamentalmente, no trabalho de equipa. É possível compreender que trabalhar em equipa é tanto mais frutuoso, quanto melhor for o funcionamento, a coesão e o espírito do grupo de trabalho.

O conflito surge como elemento perturbador da coesão, assume contornos diversos, de maior ou menor gravidade, e pode afectar os membros da equipa, os departamentos e a própria organização. Para solucionar um conflito ou clarificar um problema existem mecanismos específicos para o fazer. Para isso, frequentamos cursos de formação que visam desenvolver essas competências.

Essa tem sido a opção de muitas empresas, organismos e funcionários. Mas, apesar de todo o interesse e de todos os esforços, o conflito mantém-se insidiosamente sem resolução ou aparentemente inerte. O que falha então?

Julgo que a responsabilidade cabe à deficiente comunicação, à acomodação, à falta de empatia, à incapacidade de negociação e de debate. Que outro sentido faz um chefe ser autocrático em vez de promover a partilha de decisões? Que sentido faz um profissional procurar atingir objectivos pessoais através duma política de simpatias? Ou, que cultura organizacional é esta que descura a comunicação com os elementos que a constituem? Vale tudo?!

A coesão duma equipa ou de um grupo, é o resultado de um conjunto de forças que fazem com que os membros permaneçam na equipa, que os incita a cooperar e a partilhar, aliados à confiança mútua, motivação e identidade de objectivos. Encontrar soluções para os problemas é fácil, mas se isso implicar estratégias para um bom clima de trabalho e um bom relacionamento interpessoal...oh! que tarefa hercúlea...

Publicado por Cris em 06:00 PM | Comentários (0)

fevereiro 15, 2004

fetichismos

Publicado por Cris em 09:40 PM | Comentários (8)

fevereiro 14, 2004

produtos...

... sem corantes nem conservantes, sem açúcar, sem sal, sem álcool, sem colesterol...
... antibióticos, probióticos, biológicos, light, dietéticos, 100% sumo de fruta, 100% natural...
... com flavonóides, com anti-oxidantes, enriquecidos com vitaminas e sais minerais...
... garantem emagrecimento, energia; fortalecem, equilibram o metabolismo, hidratam, tonificam, limpam, protegem...

Qualquer visita ao supermercado permite confirmar a forte influência da moda na forma como conduzimos as nossas vidas. Vale tudo em nome duma pretensa saúde. Cometem-se os maiores crimes nutricionais em nome duma imagem de saúde.

Não sou exemplo para ninguém, e os que me conhecem sabem disso, mas faço uma tentativa para consumir os produtos mais adequados aos meus objectivos e a escolha, invariavelmente, incide nos bens de consumo de rápida confecção. Naturalmente, a escolha de um estilo de vida saudável fica para segundo plano.

Vai demorar muito para aceitar a diversidade das formas de estar e de ser que não se coadunam com os requisitos esquálidos da moda. Até lá vamos submergindo sob o peso de produtos sintetizados, produzidos em larga escala, em nome dessa desejada saúde...

Publicado por Cris em 07:44 PM | Comentários (3)

fevereiro 12, 2004

Do silêncio à voz

Há uns dias foram efectuados o lançamento e conferência sobre o livro "Do silêncio à voz", no Auditório da Escola Superior de Enfermagem Artur Ravara em Lisboa.
Trata-se da obra de Bernice Buresh e Suzanne Gordon, duas jornalistas americanas, que consideram a enfermagem uma profissão interessante, ponderando no entanto motivos pelos quais as enfermeiras não se fazem ouvir.
Através deste livro vêm-nos explicar como fazer os media escutarem-nos.
Ainda não li mas dei uma olhadela, pareceu-me de leitura fácil, contendo vários exemplos do dia-a-dia dos profissionais de enfermagem.

Foi também feita a sugestão de algumas estratégias de marketing durante a conferência, por um especialista da área do marketing social e da promoção da saúde, o Dr. Paulo Moreira.
Coisas simples como a quantidade de informação e temas a sugerir para a comunicação social.
Serão apenas os lobbies da política, que controlam os media? Fazendo sair apenas o que interessa que a população veja, e impedindo-nos de ser ouvidos?
A leitura e interiorização desta obra serão suficientes para haver mudanças?

Publicado por geraldinha em 11:49 PM | Comentários (6)

fevereiro 11, 2004

palhaçadas

Um dia destes cruzei-me com a Dra. da Graça e com o Dr. Batota numa das suas visitas. Esta equipa é constituída por 6 palhaços profissionais: Dra. da Graça, Dra. Kika Larica, Dr. P.P.P. Pipoca, Chôtôra Ninonete, Dr. Batota e Dr. Felix Férias.

Operação Nariz Vermelho

A Operação Nariz Vermelho visita periodicamente crianças hospitalizadas desde há quase 2 anos. Foi criada a partir dum projecto baseado na Big Apple Clown Care Unit (Nova Iorque) e nos Palhaços da Alegria (Brasil). O principal objectivo da Operação Nariz Vermelho é contribuir para o bem-estar das crianças hospitalizadas, dos seus familiares e, também, dos profissionais de saúde. Esta equipa dá consultas todas as semanas, em 4 hospitais de Lisboa, e pretende alargar o programa de saúde às crianças de Coimbra e Porto.

Pretendem estimular as emoções positivas, animar o aparelho emocional e reforçar o brilho dum sorriso. Tem como efeitos secundários, a alegria, o bem-estar e a esperança.

"Rir é melhor do que chorar. Insistir é melhor do que desistir. Amar é melhor que odiar."
Susana - Hosp. D. Estefânia.

Publicado por Cris em 09:30 PM | Comentários (4)

fevereiro 09, 2004

Atitudes

Estava a desfolhar a revista enfermagem em foco, quando me deparei com o testemunho de uma colega, que me fez sorrir e relembrar momentos em que, pelo mesmo motivo, também me senti feliz.

Trata-se de uma atitude que acho que em muito dignifica a nossa profissão, e que passo a citar:
“Após uma manhã com duas cirurgias efectuadas, chegou o momento de ser rendida para ir almoçar. Fardei-me e ao sair do bloco, deparo-me com quatro pessoas sentadas na escada, que logo me abordaram, «Sra. Enfermeira, o meu marido está a ser operado. Já lá está há três horas e ainda não sei de nada. Diga-me qualquer coisa, por favor, pela saúde dos seus.» Naquele momento, parecia que o local começava a encolher, pelo desespero apresentado pela senhora e pela forma como ela me abordou. Na altura só pensei, «E se fosse comigo? Eu também estaria num sufoco.» Então disse à senhora para aguardar, que já lhe traria notícias. E assim aconteceu. A senhora ficou tão contente, esboçando um sorriso no meio daquela angústia toda. Fiquei feliz. Senti-me bem comigo mesma, senti-me uma «Enfermeira em pleno», senti-me como há já algum tempo não me sentia.” (Alexandra Fidalgo, Out/Dez 2003, p.36)

Creio que todos temos gestos como este que podemos recordar. Sinto no entanto, que pelos mais diversos motivos, nem todos os tenhamos pelo menos uma vez por turno.
É pena, pois que é algo que está ao nosso alcance e que nos enaltece.

Publicado por geraldinha em 08:40 PM | Comentários (8)

fevereiro 08, 2004

quem canta seus males espanta

Ao reafirmar a importância das emoções e dos pensamentos positivos para a saúde, a ciência assinala que brincar, rir, ter atitudes optimistas, é absolutamente desejável. Para além de melhorar as interacções sociais e a comunicação, os estudos científicos comprovam a libertação de substâncias benéficas para o organismo.
A medicina considera que o humor e o riso são elementos capazes de promover o bem-estar e a saúde que, para além de ajudar na prevenção e no tratamento de doenças, realmente confirmam que "rir é o melhor remédio".

Este estudo recente, vem agora provar que quem canta, para além de melhorar o seu estado de ânimo, reforça o sistema imunitário.
Resta saber se estas conclusões se aplicam a quem desafina. Espero bem que sim, porque, se até aqui deixava as cantorias para os profissionais, agora vou passar a reforçar o meu sistema imunitário.

Publicado por Cris em 10:07 PM | Comentários (10)

fevereiro 03, 2004

sns

O debate em torno do SNS tem sido aceso em toda a blogosfera e particularmente no ENFERMEIRAME.

O SNS que conhecemos, apesar de todos os constrangimentos, permitiu colocar Portugal no 12º lugar da lista de classificação da OMS. No futuro, de tendencionalmente gratuito, o SNS passará a tendencionalmente pago.
Jonh Q.The Rainmaker

Assim, para todos os que desconhecem o futuro do SNS, recomendo o visionamento de «Jonh Q.» recentemente transmitido na RTP, e também de «The Rainmaker».

Revejam ainda, estes sinais e sintomas da reestruturação do SNS.

Publicado por Cris em 11:00 PM | Comentários (5)

fevereiro 02, 2004

o toque

toque2.jpgNuma sociedade em constante mudança, a enfermagem deve estar preparada para aceitar novos métodos, novos desafios, que beneficiem a qualidade dos cuidados de enfermagem.

O toque é a mais básica das respostas humanas. O toque é não-invasivo, não-intrusivo e proporciona paz, tranquilidade e confiança. O toque é um método complementar de outros tratamentos. Recorre tanto aos aspectos físicos como aos aspectos psico-emocionais do doente e baseia-se no princípio do tratamento do doente como um todo. O toque é uma intervenção de enfermagem que cria harmonia e que contribui para o alívio da dor, do stress e da ansiedade. toque

A prática de enfermagem baseia-se numa relação de empatia e dedicação, o que contribui para melhorar a qualidade de vida dos doentes. O toque estimula o auto-conhecimento e a sensibilidade de forma a que se possa cuidar do doente como um todo. O toque dá uma nova dimensão ao cuidar em enfermagem.

Publicado por Cris em 10:48 PM | Comentários (4)

fevereiro 01, 2004

Corre, corre…

Dá-me gozo trabalhar por turnos! Acho que me deixa muito mais tempo livre (Além do pormenor de não ter de me levantar sempre de madrugada!)
Só se torna complexo organizar aquelas rotinas básicas, sempre de horários às avessas… e o facto de nunca se conseguir compensar de dia uma noite perdida a trabalhar…
E quando se tenta ter um dia normal… É um corre, corre!
Ainda hoje:
Levantei-me relativamente cedo para entrar ao trabalho às 15 horas.

Fiz meia limpeza à casa, fui à praça, arrumei as compras, fiz o almoço, preparei o jantar, engoli o almoço, arrumei a cozinha, não tive tempo para tomar café, esqueci-me de levar uns papéis importantes que me tinham solicitado encarecidamente para não esquecer… a colega que ia render olhou-me de lado quando me viu chegar em cima da hora (não me pagam para chegar mais cedo!)…
Tive uma tarde que não foi caótica mas quase… e à hora da saída só me faltava mais esta: ter ficado sem bateria no carro!!!
Será que toda a gente tem dias destes pelo menos algumas vezes por mês?

Publicado por geraldinha em 09:44 PM | Comentários (2)