Terri Schiavo faleceu alguns dias após a cessação de alimentação e hidratação artificiais. Os tribunais norte-americanos aceitaram os pareceres médicos que provaram, inequivocamente, o estado vegetativo permanente (EVP).
O caso de Terri levantou, mais uma vez, a discussão sobre os temas relacionados com a morte, com as decisões finais de vida e com o direito a morrer com dignidade.
Sobre estas matérias o Conselho Nacional para as Ciências da Vida emitiu, em Fevereiro, um parecer sobre o EVP e sobre o respeito pela decisão – manifesta e declarada – do próprio em suspender ou recusar medidas que prolonguem artificialmente a vida. Em diversos países têm sido encontradas formas de expressão da vontade própria. É o caso do living will, testamento vital, e da nomeação prévia de pessoas de confiança do doente.
Qualquer decisão deste foro implica sempre grande emotividade e complexidade. Considerando o doente como um ser vivo num percurso natural que culmina, inevitavelmente, na morte, o importante é preservar a melhor qualidade de vida possível até ao fim. Continuar tratamentos inúteis em doentes sem recuperação, que prolonguem o sofrimento e que proporcionem desconforto, é, sem exagero, ferir a dignidade humana.
Os casos de suspensão de alimentação e hidratação artificiais em doentes em EVP – considerados cuidados básicos - suscitam muita discussão e debate, quer na comunidade científica, quer na opinião pública. Resta a certeza que cada caso é analisado à luz do diagnóstico, do tratamento, do prognóstico e da vontade do doente.
Da minha reflexão sobre o que partilhei com pessoas em fim de vida e da formação que recebi em cuidados continuados, julgo que a vida se recria e reorganiza na procura dum novo sentido. Importa viver bem, com dignidade, a última etapa da vida, sem acelerar ou atrasar o processo de morte.
Como me dizia há dias um doente com 84 anos: «A vida faz-se caminhando. A morte é só mais um passo ... um passo em frente.»
Estou de acordo sobre o parecer sobre o EVP.
No meu caso, estando naquele estado preferia o fim. Mas não sei se era capaz de "ditar" esse fim a alguém muito querido.
Só mesmo avaliando a situação no momento, ou como diz o parecer, caso a caso.
completamente de acordo, é apenas um passo em frente
Afixado por: j.p. em abril 15, 2005 07:49 PM