Nasceu em Alhandra a 5 de Dezembro de 1947 e faleceu a 1 de Setembro de 2003. Iniciou a sua actividade teatral aos catorze anos em Grupos de Amadores, formou-se na Escola Superior de Teatro e dedicou-se, fundamentalmente, à escrita, à formação e à encenação. Era, à data da sua morte, Chefe da Divisão de Actividades Culturais do INATEL, Director Artístico da Companhia de Teatro Camarim e encenador do Grupo de Teatro Amador da EPAL.
Dramaturgo, encenador, escritor, político, foi também enfermeiro no Hospital Militar de Lisboa e, posteriormente, em Angola entre 1969 e 1971.
Escreveu, entre outros, os seguintes textos:
Nunca te disse que conheço as almas boas pelo calor das mãos? - Menção Honrosa CITAP (1987);
O Solário - Prémio Eça de Queiroz (1992), da C. Municipal de Lisboa, distinguido pela Secção Nacional da Associação Internacional de Críticos como a melhor peça de 1992, presente na Feira de Frankfurt (1993);
Princípe Bão - Prémio Baltazar Dias (1995), C.M. Funchal;
A Última Batalha - Grande Prémio SPA/Novo Grupo (1999);
A Última Questão - Menção Honrosa do Prémio Joaquim Namorado (1996);
Pastéis de Nata para a Avó - 2º Prémio CITAP (1993), 1º Prémio A Barraca (1994);
Verdes Aventuras de D. Quixote (Infantil), por encomenda do Grupo TELEPAC, que a estreou em 1997;
O Enterro, por encomenda da Companhia Teatro Experimental do Funchal, que a estreou em 1998;
Andou um Anjo pelo Cais - Prémio Miguel Torga (1996) da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro;
Ó da barca per onde is? - versão livre do Auto da Barca do Inferno;
O Corvo de Lisboa - Conjunto de rábulas para os espectáculos «Quem tem boca vai ao Roma», de Simone de Oliveira e Carlos Quintas, no Forum Roma, 1998;
Um Pequeno Mago com um Chapéu na Cabeça (ensaio sobre Ribeirinho) - Edição INATEL, 1998;
Traduziu para o Grupo da TELECOM, «A Casa de Bernarda Alba», de Garcia Lorca. Escreveu para diversos grupos sete Revistas à Portuguesa. Para Televisão, em co-autoria com outros autores, escreveu O Sétimo Direito (RTP1), Ora Bolas Marina (SIC), Quem Casa Quer Casa (TVI), Marina Dona Revista (SIC) e Bora lá Marina (TVI).
Escreveu ainda dezenas de poemas, canções e inúmeros artigos para a imprensa.
Saboreio quase languidamente um cálice de anis escarchado
Duma garrafa que me deu alguém um dia
E repousou em sossego, durante anos, no armário.
Saboreio-o reclinado sobre a grande memória das coisas.
Do cheiro a caranguejos e a lodo que sobe do rio,
Da aragem ácida, que se desprende dos montes de sal ao sol,
Das sirenes das fábricas no concerto quotidiano do meio-dia,
Do quase imperceptível odor do negro alcatrão
Liquefazendo-se sem defesa sobre os calores do Verão...
Saboreio-o olhando para baixo, para mim,
Um outro eu, de bata branca, sem angústias, rugas ou enfartes,
Sentado na borda do lago do jardim da escola,
Comendo quase com volúpia um pão prenhe de marmelada,
Que a minha mãe embrulhara de manhã num alvo guardanapo.
Saboreio-o reclinado sobre a memória das coisas
E uma leve névoa tolda-me os olhos.
Não, não estou a sonhar, nem atacado de melancolia.
É apenas a noite do meu aniversário e nessas datas,
Ao menos por uns brevíssimos instantes,
Todos temos tendência para nos reclinarmos um pouco
Sobre nós mesmos e a grande memória das coisas.
(Deixa-me mas é escorropichar o cálice para acabar com isto!)
5/12/2001
Publicado por Cris em dezembro 5, 2004 10:10 PMa minha vénia :)
Afixado por: jacky em dezembro 6, 2004 10:45 PM