O que distingue a enfermagem das demais profissões é uma finalidade própria de intervenção – autónoma e interdependente – que visa a promoção da saúde de cada pessoa e que procura proteger e promover a dignidade humana.
Os enfermeiros cuidam das pessoas ao longo do ciclo vital, na saúde e na doença, na vida e na morte. Nessa condição, os enfermeiros consideram necessário intervir quando a qualidade dos cuidados de saúde são afectados.
O Acordo Colectivo de Trabalho para os Hospitais S.A. (ACT) é danoso e desvalorizador para os profissionais de enfermagem e fere gravemente a qualidade dos cuidados de saúde. Com efeito, o ACT prevê a criação de uma nova profissão – técnicos auxiliares de cuidados – com intervenções e competências que pertencem, única e exclusivamente, à enfermagem.
Como se não bastasse, a evolução e progressão na carreira proposta ficam condicionadas a critérios estabelecidos pelos Conselhos de Administração desses hospitais, relegando completamente as atribuições da Ordem dos Enfermeiros, como a definição de perfis de competência e a certificação de competências.
A questão não se resume à redução das condições de trabalho, à desvalorização social da enfermagem ou aos direitos dos enfermeiros enquanto trabalhadores. A questão incide na qualidade e na segurança dos cuidados de saúde prestados aos utentes.
A nova luta dos enfermeiros
Antes era uma luta mesquinha contra entre aspas os médicos.A eterna rivalidade e insegurança contra os médicos agora voltou-se contra os auxiliares.
Afinal o que quer esta classe de trabalhadores? Deviam definir-se.
A classe de ajudantes de enfermagem foi criada porque havia necessidade de apoio aos enfermeiros e foi destituída pelos mesmos acharem que já não havia necessidade
Agora pretende-se criar uma classe nova baseada nas antigas características dos ajudantes de enfermagem e eles temem.
Mas porquê?Têm medo de haver menos vagas de enfermeiros e mais de auxiliares?Mas nós devemos todos pensar no bem do doente e do pais no geral.Com esta classe o pais poderá poupar mais dinheiro sem perder a qualidade de serviço ao doente.Em Espanha assim acontece e parece-me bastante válido o sistema.
Mas volto a perguntar.Que temem os enfermeiros.Na Amadora-Sintra vi muitas vezes auxiliares porem soros, regulá-los, verem temperaturas e nunca ouvi nenhum enfermeiro contestar. Será que é bom ter auxiliares que lhe façam o trabalhinho deles enquanto fumam descansadinhos nos seus gabinetes e enquanto recebem o deles?
Afixado por: pescador100rede em dezembro 6, 2004 06:40 PMGostei de ler - relevo a última afirmação: "a questão incide na qualidade e segurança dos cuidados de saúde prestados aos utentes", em (con)sequência dos direitos que os próprios cidadãos têm... Muitos de nós pensam assim, como a Chris escreveu, e estamos preocupados, porque o que se propõe hoje, afecta o futuro...
Afixado por: LN em outubro 9, 2004 07:11 PMEm primeiro lugar, o meu obrigado pela visita!
É curioso que realmente a maioria das pessoas não se aperceba que a razão do descontentamento dos enfermeiros, não têm a ver com qualquer postura corporativista, mas sim, com a salvaguarda das condições mínimas para os Cuidados de Enfermagem, que lhes são prestados. Temos que ter uma postura mais interventiva, no esclarecimento da população.
P.S.- Já passaste pelo forum?
"...Os enfermeiros cuidam das pessoas ao longo do ciclo vital, na saúde e na doença, na vida e na morte."
Aplaudo este bocado de texto. A grande maioria das pessoas, senão a totalidade, passa ao lado sem perceber bem a importância da classe. Eu por mim falo; ao ler isto foi como se uma campaínha tocasse dentro da minha cabeça e me despertasse para a realidade da importância dos serviços de enfermagem. Podes estar certo que vos passarei a olhar com outros olhos. Obrigado.
Um abração do
Zecatelhado