setembro 06, 2004

coisas da vida e da morte

Creio haver um momento na vida em que se dá início a um percurso consciente, sem retorno, em direcção à morte. É uma escalada gradual para um fim, mais ou menos próximo, e é um trajecto de reconciliação com a vida e de aceitação da morte. O papel do enfermeiro será, na minha óptica, o de tentar harmonizar esse percurso, aliviar a dor e o sofrimento e proporcionar conforto e apoio.
Estas palavras tão vãs e tão ocas, não conseguem descrever o desmesurado e complexo processo que é cuidar do doente terminal e da sua família. É um processo muitas vezes doloroso, de avanços e retrocessos, feito de amarguras e alegrias. Exige uma formação ética e moral, assim como uma prática reflexiva que permita adequar os cuidados às necessidades do doente.

Elisabeth Kübler-RossElisabeth Kübler-Ross, uma conhecida psiquiatra, facilitou a compreensão da dinâmica da morte. Identificou as fases de negação, angústia, negociação, depressão e aceitação, associadas ao processo da morte e do luto. Deu um forte contributo a todos os profissionais de saúde, especialmente aos que cuidam e tratam dos doentes terminais e que lidam com o sofrimento e a perda.
Autora de mais de vinte livros, foi consagrada pela revista Time como um dos cem mais importantes pensadores do século XX. Faleceu no passado dia 24 de Agosto, com 78 anos, rodeada de amigos e família.

Publicado por Cris em setembro 6, 2004 09:00 PM
Comentários

Admiro a coragem de todos que cuidam doentes emfase terminal. Lidar com pessoas nessa situaçao acorda muitos medos adormecidos pela rotina.
Força! Beijinhos

Afixado por: Maria Joao em setembro 8, 2004 06:28 PM

Cris... este post é uma garante de que as coisas para os doentes terminais talvez possam mudar em Portugal. Fossem todos os profissionais de saúde portugueses sensíveis a este tema como tu me pareces.

Afixado por: kaku em setembro 8, 2004 10:57 AM

A morte é um "tema" que me impressiona muito... especialmente depois de ter assistido a um excelente programa na SIC Notícias sobre a pratica da eutanásia nos países do Norte da Europa. Não fazia ideia que na Holanda as crianças a partir dos 12 anos podem escolher a hora da sua morte... assistida e sem dor. Seja como for custa muito aceitar que alguém que amamos tem que partir. Os meus agradecimentos a todos os que facilitam um processo tão doloroso como os enfermeiros do Hospital de S. Marcos em Braga. E já agora uma chamada de atenção para quem se vê obrigado a visitar o Hospital de Ponte de Lima: Fujam para Braga se não arriscam-se a ver um ente querido a esperar 5 horas por um TAC quando o equipamento nem sequer lá existe! O meu tio galeceu agora em Agosto nesta situação... não digo q a culpa foi do hospital de Ponte de Lima, mas uma pessoa merece o melhor tratamento quer tenha 8 ou 80 anos! Desculpem o desabafo, mas para quem vai começar agora a estudar enfermagem assusta a falta de humanidade e compaixão (e meios técnicos e humanos) que ainda existe em alguns hospitais portugueses.

Afixado por: Nat em setembro 7, 2004 06:31 PM