ENFERMARIA
É uma estátua de febre o que habita aqui.
É uma dor o que dizem os teus olhos.
O coração desenha uma linha quase plana,
Um caminho que estremece levemente.
Toda esta mecânica à tua volta venera a
eternidade do sol
mas aí estás sem mover os lábios e as mãos
e os músculos atados pelas cordas da vida.
Quebrado está o sono.
Uma flauta de cordilheiras tristes ecoa nos
pátios onde não voltarás a acariciar os
cachos antigos.
Agora, o soro procura-te.
Fecham-se as cortinas. O silêncio levanta-se.
José Agostinho Baptista,
in Agora e na Hora da Nossa Morte,
Assírio & Alvim, Outubro de 1998