De vez em quando um doente resolve fazer exigências impossíveis de satisfazer ou mesmo agredir física e verbalmente um enfermeiro. Seria aceitável, discutível e, no mínimo, propício à reflexão, se partissem exclusivamente de pessoas cujas vidas são ameaçadas por doenças crónicas e incapacitantes.
Contudo, este tipo de comportamento parece estar a revelar uma tendência que atravessa toda a sociedade e que se caracteriza por falta de respeito, de empatia, de compreensão e de solidariedade para com os outros.
A violência parece ser a forma mais rápida e eficaz para conseguir um lugar no estacionamento, na fila do supermercado ou simplesmente, para conseguir um lugar ao sol.
A violência num contexto relacional, como o é nos serviços de saúde, abrange tipos de acções que se diferenciam em violência física e psicológica e violência intencional ou não intencional, com vários graus de gravidade. Todo e qualquer acto de agressão resulta em danos físicos e psicológicos para o agredido.
Um estudo levado a cabo pelo International Council of Nurses e outras organizações internacionais, revela que em Portugal, os enfermeiros são as principais vítimas de actos de violência sobre os profissionais de saúde nos respectivos locais de trabalho. Na grande maioria dos casos os autores são doentes ou familiares de doentes. E mais de 70 por cento das agressões físicas nos hospitais, têm por alvo enfermeiros.
As consequências desta onda generalizada de violência repercutem-se directamente na qualidade dos cuidados de saúde, dado que os profissionais agredidos e as testemunhas ficam sujeitos a elevados níveis de stress pós-traumático.
Perante a dimensão do problema urge tomar medidas para prevenir, intervir e eliminar a violência dos locais de prestação de cuidados de saúde.
Inadmissível!!!!
Afixado por: Pedro Santos em agosto 9, 2004 08:43 PMÉ verdade... As pessoas quando estão doentes e vão ao hospital tendem a descarregar udo nos enfermeiros... É uma tristeza porque depois chegao o senhor doutor acerca de quem muitas vezes estavam a refilar, e já está tudo bem, de repente são uns carneirinhos mansos... E quem tem que os aturar são os enfermeiros... Enfim... *ocas gds
Afixado por: Loopy em agosto 5, 2004 01:08 PME por faltarem tantas coisas, as pessoas acabam por descarregar a sua fúria naqueles que estão mais próximos - os enfermeiros. Não deveria ser assim, mas é infelizmente. A onda de violência parece crescer dia após dia na nossa (e não só) sociedade. É lamentável.
Beijinhos!
Fairy, a situação de doença é uma situação de extrema vulnerabilidade. Se ao medo e à ansiedade lhe juntarmos um atendimento incorrecto, estão reunidos os ingredientes para que a estadia numa instituição de saúde seja extremamente penosa. Falta informação sobre os horários de funcionamento, faltam placas de identificação dos serviços, faltam guias de acolhimento, faltam profissionais humanos e atentos, faltam variadíssimas coisas, muito simples até, mas que ajudariam muito a diminuir o desconforto ou o incómodo do utente e evitariam, em muitos casos decerto, o uso da violência. Espero sinceramente que o seu contacto com a MAC seja breve. Obrigada pela visita.
Afixado por: Cris em agosto 4, 2004 11:33 PMCarlos, a única nota auto-biográfica é conhecer enfermeiros, auxiliares e médicos que foram agredidos. O problema existe, foi detectado e avaliado pelas organizações que mencionei e tem dimensões preocupantes, como tudo o que se relaciona com a violência. Nas situações que eu conheço, a assertividade foi irrelevante: tal como tu, os agredidos estavam no local errado e na hora errada. Quanto às agressões que decorrem da falta de informação e de um acolhimento e atendimento deficientes – situação por si só deplorável – elas são reflexo de uma sociedade muito competitiva e injusta, que só consegue ver os seus direitos exercidos à custa de actos de violência. Quanto aos comportamentos agressivos fruto duma condição depressiva e ansiosa, eles devem ser alvo da intervenção de enfermagem através duma relação de ajuda e, obviamente, não me referia a estes casos. Beijinhos :)
Inacreditável! O_o
Afixado por: in-quietude em agosto 4, 2004 11:17 PMsó agora encontrei este blog e sinto-me feliz de o ter feito porque para além de ser um blog muito diferente do que se encontra por aí é simultaneamente um blog que me interessa particularmente.
é raro conseguirmos ter uma noção do outro lado da questão visto que a maioria da população não é nem enfermeiro nem médico.
devo dizer que de há algum tempo para cá tenho tido mais contacto com o hospital do que eu gostaria, nomeadamente com a maternidade alfredo da costa.
nunca assisti a uma situação como essa mas acredito que exista e é de facto lamentável...
no entanto concordo com a opinião do comentador anterior que diz que algumas dessas situações poderiam ser prevenidas se os doentes e famílias tivessem acesso a informação que muitas vezes lhe é negada.
eu pessoalmente discordo com a actual política de se esconder o que se puder ao doente. penso que este deveria conhecer a sua própria condição não só porque, como no meu caso, a doença lhe afecta profundamente a vida e se vê condicionado, mas também porque a dúvida é sempre pior que a informação.
ainda assim discordo totalmente de actos de violência e só deixaria aumentar o meu tom de voz se alguém me desrespeitasse o que felizmente ainda não aconteceu.
Cris, noto neste teu texto, um pequeno traço auto-biográfico. Será verdade? Sem querer entrar na tua intimidade, penso que colocas aqui um problema muito relevante, mas sem soluções fáceis. Apesar de eu não ser a vitima mais provável (sou homem, 1M76cm e 93 Kg...), já me aconteceu estar no local errado á hora errada! Agora tenho consciência que a maioria das situações potencialmente explosivas podem ser evitáveis. Essa atitude passa por nós, pelo respeito pelo doente. Muitas situações, decorrem da falta de informação ao doente e familia, rigidez de horários de tratamentos e visitas, pouca disponibilidade nossa (também somos humanos e podemos ter um dia não!). Agora muitos comportamentos agressivos são chamadas de atenção, como diz a conhecida frase "Freud explica isso...". Uma atitude assertiva desarma a grande maioria das situações. Não há outra maneira, vejamos as alternativas, Alta compulsiva? Recusa de tratamento? Tortura (estou a brincar claro...).
O certo é que não podemos ter um segurança atrás de nós nem isso resolvia o problema.O importante é levar o dia a dia estar lá quando um colega precisar de nós. Se quiseres diz qualquer coisa.
Um abraço, Carlos. P.S: Isto não invalida que algumas situações não mereçam participação judicial.