O número de doentes deixados nos hospitais por não terem para onde ir está a aumentar. Todos os anos – e principalmente nas épocas festivas – é a mesma coisa: inúmeros idosos doentes, acamados e dependentes são deixados nos hospitais.
No momento da alta clínica as famílias que cuidam dos idosos durante todo o ano simplesmente desaparecem e só regressam no fim das férias estivais ou natalícias. Por vezes são deixados no Serviço de Urgência com indicação de moradas falsas ou telefones inexistentes. Episódios desta natureza são cada vez mais frequentes e vêm, pontualmente, a conhecimento público.
Não existe um levantamento rigoroso destes casos sociais, mas parece-me que o problema está intimamente relacionado com o envelhecimento da população, com o aumento da incidência de doenças crónicas e com a falta de condições de assistência à população idosa.
É preciso compreender que a ocupação de camas por idosos que não têm para onde ir interfere com o número de cirurgias e com as admissões de casos de doença aguda. Há relatos de situações em que idosos permaneceram internados (sem disso terem necessidade) durante vários meses, anos até, embora estes casos de longa permanência tendam a diminuir.
Conscientes desta problemática, a União das Misericórdias Portuguesas e o Ministério da Saúde criaram um protocolo de cooperação que visa acolher os doentes abandonados nos hospitais. Mas isso, no meu ver, é tapar o sol com a peneira. O importante seria criar condições para que os familiares pudessem assistir os seus idosos sem os deslocar do lar e sem alterar o seu modo de vida.
Publicado por Cris em julho 10, 2004 10:36 PMno outro dia fui assistir a umas jrnadas sobre violência. uma assistente social fez uma palestra sobre a violência aos idosos. não disse grande coisa, na minha opinião. tipos de violência para aqui, consequências da violência para acolá e sobre as causas dessa violência, nada. estou em crer que é uma questão profundamente cultural, cada vez mais difícil de resolver. para os orientais a velhice é sinónimo de sabedoria e, por isso, há que respeitá-los. para as sociedades ocidentais, imersas na obsessão da produtividade, a velhice é sinónimo de desperdício. são uma espécie de impecilho ao progresso. como se muda isso? mudando atitutes, claro está. sociedades mais educadas, que valorizem mais o conhecimento e menos o sucesso comercial, que promovam a cultura e se libertem da ditadura da produtividade. não tenho grandes esperanças. acho que vamos continuar a ver os hospitais cheios de idosos que podiam estar noutros lugares, com outras condições e, sobretudo, com a dignidade que merecem no final da vida. acho que vamos ter de continuar a viver neste mundo de gente distraída.
Afixado por: juraan vink em julho 14, 2004 11:35 PMSós e desamparados.... é uma questão que me toca profundamente...
Afixado por: Gotinha em julho 12, 2004 10:45 PMAinda bem que nos alertas para estas situações!!! Todos caminhamos para a idade avançada e deviamos de facto reflectir mais neste assunto!!!
Afixado por: Armando em julho 12, 2004 07:01 PMMesmo assim, há gente tão egoísta que preferiam não ter as pessoas idosas em casa porque as estorvam. Quando morava no bairro, os vizinhos tomavam conta dos velhinhos dos outros andares porque os filhos não tinham tempo e a maioria das vezes nem a porcaria dum pão podiam levar-lhes! Enfim...
Afixado por: jacky em julho 12, 2004 05:29 PM