junho 18, 2004

medicina nada convencional

A utilização da medicina não convencional tem sido prática crescente, especialmente nos países desenvolvidos como o Reino Unido, Alemanha e a Suíça. Em Portugal, à semelhança do que se passa nestes países, esta utilização tem vindo a aumentar. Por seu turno, a OMS (Organização Mundial de Saúde) tem previsto um programa estratégico para incorporação destas terapêuticas nos sistemas de saúde, a adoptar até 2005.
Apesar de toda a discussão que o assunto merece, creio que é importante salientar os princípios humanistas que parecem orientar este tipo de medicina. As terapias são centradas na globalidade da pessoa e não só e exclusivamente na doença, ao contrário do que sucede, muitas vezes, na medicina convencional.

Ainda ontem o meu pai teve uma consulta com o diabetologista que o segue há anos. Apesar de quase não conseguir falar devido a uma laringite, conseguiu queixar-se das quebras de tensão que os comprimidos para a tensão lhe provocam. O médico ignorou as queixas, ignorou a crise de espirros que o meu pai ostentava e seguiu em frente: «Não tenho nada a ver com isso, vá ao seu médico de família».
É por estas e por outras que, na minha opinião, se assiste a uma procura crescente da medicina não convencional. Em parte, o desenvolvimento deste tipo de medicina é reflexo da atenção prestada ao doente que encontra aqui resposta para muitas das suas necessidades.

Compreensivamente e de acordo com os princípios da igualdade, há que garantir a liberdade de opção a todos os cidadãos. Mas, equitativamente, é necessário garantir também a qualidade, a idoneidade e a segurança destes serviços. E ainda – como defende a Ordem dos Médicos – proteger o cidadão doente, que no desconhecimento da ciência medica é levado a acreditar em diagnósticos fantasiosos, promessas de curas fáceis ou até miraculosas, e aceita seguir pseudo-tratamentos que, mesmo quando são inócuos, impedem ou atrasam o tratamento mais adequado para as suas queixas.
Do mesmo modo, além de restringir e punir a prática duvidosa, há que exigir a comprovação científica dos benefícios das medicinas alternativas ou – como é correcto dizer-se – terapêuticas complementares.

Publicado por Cris em junho 18, 2004 10:50 PM
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