Estava a desfolhar a revista enfermagem em foco, quando me deparei com o testemunho de uma colega, que me fez sorrir e relembrar momentos em que, pelo mesmo motivo, também me senti feliz.
Trata-se de uma atitude que acho que em muito dignifica a nossa profissão, e que passo a citar:
“Após uma manhã com duas cirurgias efectuadas, chegou o momento de ser rendida para ir almoçar. Fardei-me e ao sair do bloco, deparo-me com quatro pessoas sentadas na escada, que logo me abordaram, «Sra. Enfermeira, o meu marido está a ser operado. Já lá está há três horas e ainda não sei de nada. Diga-me qualquer coisa, por favor, pela saúde dos seus.» Naquele momento, parecia que o local começava a encolher, pelo desespero apresentado pela senhora e pela forma como ela me abordou. Na altura só pensei, «E se fosse comigo? Eu também estaria num sufoco.» Então disse à senhora para aguardar, que já lhe traria notícias. E assim aconteceu. A senhora ficou tão contente, esboçando um sorriso no meio daquela angústia toda. Fiquei feliz. Senti-me bem comigo mesma, senti-me uma «Enfermeira em pleno», senti-me como há já algum tempo não me sentia.” (Alexandra Fidalgo, Out/Dez 2003, p.36)
Creio que todos temos gestos como este que podemos recordar. Sinto no entanto, que pelos mais diversos motivos, nem todos os tenhamos pelo menos uma vez por turno.
É pena, pois que é algo que está ao nosso alcance e que nos enaltece.
Que me lembre não tenho qualquer queixa a apontar neste sentido. Exceptuando a burocracia cada vez mais existente e que ultrapassa na maioria - senão na totalidade - das vezes, os próprios funcionários, posso assegurar que sempre fui bem atendido pelo "pessoal médico" - e eu tenho uma rica história clínica :). Lembro-me de uma das vezes em que fui submetido a uma intervenção cirúrgica - ortopedia - em Sta Maria. Fui operado logo de manhã e por volta da hora de almoço, a minha mãe ligou para saber se eu já tinha sido operado. A enfermeira-chefe que estava de serviço na altura, só respondeu:"Já. Quer falar com ele ??" e desatou a arrastar as camas e a levar a minha até ao telefone para a minha mãe falar comigo. Disse-me então:"Tens aqui uma pessoa para falar contigo." Pode nao parecer nada, mas foi para mim dos gestos mais queridos e humanos que recebi até hoje.
Afixado por: João em fevereiro 10, 2004 07:36 PMDigamos que, por um motivo de especial empatia com a situação descrita pelo Jacky, fico muito satisfeita com o comentário.
Afixado por: geraldinha em fevereiro 10, 2004 12:28 AMFui com o meu filho até à urgência no ano passado em Março e longas horas depois foi operado... Estive o dia todo sem comer. Quando saiu da sala de operações à 1h da manhã, entregaram-me o miudo para o levar à pediatria. Os enfermeiros saíram todos menos um que ficou à minha beira. Acho que ele viu na minha cara que estava no limite das minhas forças. Foi buscar-me um chá e umas bolachas. Nunca mais me esqueço. Não falou quase nada mas deu-me o conforto que eu precisava. Bem hajam pessoas assim! :-)
Afixado por: jacky em fevereiro 9, 2004 11:25 PMOps, que ainda não tinha actualizado isto... Mil perdões por só ter respondido à lola.
Pois é, inalienável! Se é uma realidade que todos temos direitos, temos de nos lembrar que enquanto profissionais, também temos deveres. Deixa-me satisfeita observar que no serviço onde trabalho, os exemplos de que falamos estão a tomar o caminho da regra, e não da excepção.
Sim, por vezes é dificil lidar com estas situações, mas penso que se agirmos com uma pitada de bom senso e sensibilidade podemos prestar os "tão falados" cuidados à família.
Gracias por tu participación. Hasta siempre!
Pois é estas são daquelas que nos deviam fazer muito e melhor.
um abraço e boa continuação
O direito à informação é um direito ilenianável de qualquer utente. Como o doente não está sozinho, este direito deve ser alargado aos seus familiares, excepto nas situações em que estas informações violem os direitos éticos do próprio doente. Situações descritas como as da colega Lola, pôem em causa a autonomia dos Enfermeiros, e devem ser contrariadas por todos. Também em relação á colega Geraldinha, concordo que agiu bem, mas penso que este acto não deveria ser casual, mas haver já previamente mecanismos, em que os enfermeiros dariam alguma informação aos utentes e seus familiares. (Informação prévia da duração provável da cirurgia, hora provável de final da cirurgia, visita dos familiares mais significativos ao utente após saida do bloco mesmo fora da hora habitual da visita, etc). Estes são exemplos, de que de uma forma mais construtiva e assertiva, podemos prestar cuidados de uma forma mais humana, mudando hábitos e rotinas. Que esta actuação, que prima pela qualidade do cuidar seja a regra e não a excepção!
Afixado por: Carlos em fevereiro 9, 2004 10:25 PMme identifico totalmente contigo, trabajo en la unidad de cuidados intensivos y los familiares de los doentes vienen a la hora de la visita reclamandonos informacion que nosotros los enfermeros no estamos autorizados dar, me quedo muy mal cuando pienso que yo podria estar en lugar de ellos, pero por desgracia hay veces que por hacer un favor a esos familiares te ves envuelta en un problema. se informa muy poco a los familiares y a los pacientes. El sistema no funciona bien y lo peor es que formamos parte de ese sistema
Afixado por: lola em fevereiro 9, 2004 10:03 PM