fevereiro 12, 2004

Do silêncio à voz

Há uns dias foram efectuados o lançamento e conferência sobre o livro "Do silêncio à voz", no Auditório da Escola Superior de Enfermagem Artur Ravara em Lisboa.
Trata-se da obra de Bernice Buresh e Suzanne Gordon, duas jornalistas americanas, que consideram a enfermagem uma profissão interessante, ponderando no entanto motivos pelos quais as enfermeiras não se fazem ouvir.
Através deste livro vêm-nos explicar como fazer os media escutarem-nos.
Ainda não li mas dei uma olhadela, pareceu-me de leitura fácil, contendo vários exemplos do dia-a-dia dos profissionais de enfermagem.

Foi também feita a sugestão de algumas estratégias de marketing durante a conferência, por um especialista da área do marketing social e da promoção da saúde, o Dr. Paulo Moreira.
Coisas simples como a quantidade de informação e temas a sugerir para a comunicação social.
Serão apenas os lobbies da política, que controlam os media? Fazendo sair apenas o que interessa que a população veja, e impedindo-nos de ser ouvidos?
A leitura e interiorização desta obra serão suficientes para haver mudanças?

Publicado por geraldinha em fevereiro 12, 2004 11:49 PM
Comentários

tenho andado a ler o livro e realmente penso que todas as enfermeira(o)s o deveriam ler.
Mas como tudo na vida, é mais facil descrever e transmitir o que é palpavel, mensuravel, medivel e visivel (apesar de no nosso dia a dia nem sempre o conseguir-mos fazer da melhor maneira - nomeadamente com e para os utentes e seus familiares )penso que falta algo, ou então ainda não cheguei lá, que é explicar porque não foi feito o que era (é) esperado dos enfermeiros.

Podem achar que não há qualquer relação, mas já tinha sentido estas duvidas, quando comecei a exercer enfermagem.

Por lidar-mos com a doença, dor, sofrimento, morte... aprendemos, criamos e desenvolvemos defesas que são dificeis de entender no seio do senso comum.

Quantos enfermeiros já foram confrontados com algo do género "SIR"?
Como a eutanasia não existe legalmente, nessas hipoteticas situações os enfermeiros são actores passivos, activos ou apenas coniventes com o silencio forçado daquele com quem cuidam e deveriam cuidar ou daqueles a quem se subjugam e não se deveriam subjugar? Mas como não é legal, nem objectores de consciência podem ser, enquanto profissionais, nem recusar exigir ou optar pela eutanásia enquanto doentes.

Também me podia pronunciar quanto a outros assuntos, de como o silencio inicialmente é imposto e depois se torna uma defesa... ou como noutras, o juizo de valor fácil e banal, roçando a "chacota", toma o lugar do conhecimento técnico, cientifico e humano, porque apenas é mais fácil nos acomodarmos ao "sistema"?

realmente, pelo que me tem sido dado a conhecer, temos um longo caminho para percorrer.

é que aparentemente, o silencio é mais comodo.

desculpem se fui longa de mais.
parabéns e obrigada por este espaço.
dinny

Afixado por: dinny em fevereiro 23, 2004 01:32 AM

Digamos que seria uma boa ideia...

Afixado por: geraldinha em fevereiro 19, 2004 02:11 AM

Alguém oferece um exemplar deste livro ao José Carlos Santos??

Afixado por: Baltazar em fevereiro 15, 2004 04:58 AM

creo que debe ser muy interesante ese libro y tratare de encontrarlo aqui, al igual que vosotros dos pienso que la enfermeria necesita que se le escuche y que tanto utentes como otros profesionales se den cuenta que nuestra labor no se limita a seguir las prescripciones medicas, que nuestro trabajo es una asistencia integral, que pensamos, investigamos y proponemos planes efectivos y basados en la ciencia. gracias por permitirme participar

Afixado por: lola em fevereiro 13, 2004 11:05 PM

ok, eu também pretendo ler, depois falamos no teu blog.

Afixado por: geraldinha em fevereiro 13, 2004 06:35 PM

Não conheço a obra, mas após a tua crítica, ficou na lista das minhas prioridades de leitura. penso que a Enfermagem precisa de ser mais ouvida, e esta discussão pode e deve ser mais desenvolvida. Penso que existe muita gente que não nos quer neste diálogo sobre saúde, mas também muita gente a estranhar a nossa passividade. Talvez esta obra possa contribuir para mudar mentalidades, dentro da própria classe. Obrigado pela sugestão. Quando o ler, prometo fazer um artigo no meu blog.

Afixado por: Carlos em fevereiro 13, 2004 12:44 AM