Comunicar o diagnóstico de cancro não compete ao enfermeiro. Este assume a rectaguarda, é o que dá apoio, que ouve as preocupações, os «Porquê eu?», «Porquê a minha filha? Porque não eu?»…
O enfermeiro vivencia o desenrolar da doença desde o diagnóstico, até – por vezes – à morte.
Uma das experiências que me marcou foi a de uma doente de 22 anos, muito irreverente, independente, rebelde e por vezes agressiva na maneira como lidava com as pessoas que a rodeavam.
Uma certa manhã chegou junto dela alguém que não se identificou e lhe disse «vamos cortar esse cabelinho», ao que ela reagiu de forma agressiva, exigindo que a senhora se retirasse imediatamente.
Foram esquecidos os sentimentos da doente, o estado de fragilidade, a alteração de imagem que ela iria sofrer e o impacto de ser alguém estranho a fazê-lo.
Muitas vezes o doente, através de certas palavras, de atitudes, lança pedidos de ajuda.
Este está perante uma situação completamente nova e aterradora, a precisar de apoio, orientação e respostas de alguém que já viu muitos casos idênticos. Situação em que lhe é dada uma grande quantidade de informação que, muitas vezes, leva tempo a assimilar. Nesta fase, as perguntas são muitas e as respostas muito poucas, ou difíceis de dar…
– Eu só queria ter a certeza de que me vou curar...
– Eu tenho um filho pequeno, uma casa para pagar, como é que eu vou viver o momento, o dia-a-dia, se quero ver o meu filho crescer?…
Se alguma vez passar por ti, e estiveres a procurar o meu olhar para pedir ajuda e não o encontrares, chama por mim…
TERRIVEL SITUACAO DE VIVER E ASSISTIR!
MUITA GENEROSIDADE E CALOR HUMANO SE PEDE QUE UMA ENFERMEIRA POSSUA!_MUITAS O POSSUEM E SE EXCEDEM_!
_NAO FALO DAS OUTRAS QUE SAO APENAS "TECNICAS DE SUDE"!
_PROFISSAO HONROSA E DIFICIL (CONHECO DE PERTO)!
PALAVRAS BONITAS SESIVEIS E PROFUNDAMENTE HUMANAS NESTE TEXTO!
_PARABENS!
_CORDIAIS SAUDACOES!
_HELOISA B.P._
Não percebo, deve ser porque " a linguagem é uma fonte de mal entendidos." Quer explicar, Cândida?
Afixado por: Cris em março 11, 2004 08:37 PMeu não acredito numa só palavra. já dizia a outra:
" a linguagem é uma fonte de mal entendidos."
Percebes?
Os enfermeiros estão sempre muito mais acessíveis e presentes junto dos doentes que os médicos. Acabam por partilhar a angústia provocada por uma doença e a alegria provocada pelo restabelecimento da saúde - quando este acontece. Por estarem tão próximos levam muitas vezes com a frustação dos doentes e com todas as dúvidas inerentes à sua doença. Muitas vezes recebem também "gritos mudos" desses mesmos doentes e nem todas as pessoas os conseguem descortinar. Fico feliz pelos doentes que tens a teu cargo. Eles são "ouvidos".
Afixado por: João em março 9, 2004 01:39 PMTocou-me este post, muito
Afixado por: encandescente em março 9, 2004 08:02 AM