VI
A que vens, solidão, com teu relógio
de ponteiros de visgo, de bater de feltro?
Ombro nenhum ao meu ombro encostado,
a que vens, ó camarada solidão?
Companheira, amiga, até amante,
até ausente, ó solidão, te amei,
como se ama o frio até o frio dar
a chama que tu dás, ó solidão!
A que vens, enfermeira? Não sabes que estou morto,
que se digo o meu sim ou o meu não
é só para que os outros me julguem mais um outro,
é só para que um morto não tire o sono aos outros?
A que vens, solidão? Vai antes possuir
os que amam sem esperança e sem saber esperam,
dá-lhes o teu conforto, encosta-lhes ao ombro
o teu ombro nenhum, ó solidão!
Alexandre O'Neill
(Seis poemas confiados à memória de Nora Mitrani)
in Poemas com endereço (1962)
Muito bonito. Bjo.
Afixado por: João em março 18, 2004 02:25 PMLINDO!
TAO LINDO! TAO SOFRIDO! TAO SOLITARIO! QUE...
"SOS" FICAM MINHAS PALAVRAS DENTRO DE MEUS SENTIMENTOS!
_SAUDACOES CORDIAIS DE HELOISA B.P._
(OBRIGADA POR TRAZER TAO BELO POEMA!).