Ser enfermeiro significa ter o seu ritmo de trabalho/descanso frequentemente alterado.
Com efeito, os enfermeiros devem trabalhar 35h ou 42h (regime de horário acrescido) semanais distribuídas por turnos de 8 horas, que podem ser praticadas no período da manhã (das 8 às 15.30 horas), da tarde (das 15 às 23 horas) e da noite (das 22.30 às 8.30 horas), podendo variar ligeiramente em cada instituição. O número de horas de trabalho pode ainda prolongar-se por diversos motivos, tais como excesso de actividades a realizar, tempo gasto na passagem de turno (reunião de transmissão de informação), atraso ou ausência dos colegas, ou ainda por situações inesperadas e urgentes relacionadas com os doentes.
Verifica-se, porém, que o acréscimo de horas de trabalho fora do horário normal de serviço dos enfermeiros, não é objecto de qualquer compensação.
O trabalho por turnos é uma prática frequente e necessária, concebido para satisfazer as necessidades dos utentes. Trata-se de um tipo de horário de trabalho que afecta consideravelmente os técnicos de saúde já que diversos estudos realizados têm demonstrado que os trabalhadores que praticam este tipo de horário apresentam, com mais frequência, queixas de fadiga crónica e outras alterações. As influências são tanto biológicas como emocionais, devido às alterações dos ritmos circadianos, do ciclo sono-vigília, do sistema termo-regulador e do ritmo de excreção de adrenalina. Para além disso os enfermeiros são confrontados com situações emocionalmente intensas, tais como, vida, doença e morte, as quais causam ansiedade e stress físico e mental.
Os ritmos biológicos são vários, o que é tão verdade para os animais como para os vegetais. Os mais estudados dizem respeito às 24 horas, ou a um dia, tendo Halberg em 1959, criado o termo circadiano. A palavra circadiano provém do latim circa diem, "em torno do dia". Um ritmo circadiano tem a duração de 24h com um desvio de ±4h. Portanto, um ritmo circadiano pode corresponder a um intervalo de 20 a 28 horas. Quando há uma alteração horária na relação dia-noite, assim como alterações de factores sociais, horários de refeições, etc, estamos perante uma dessincronização, em que diferentes ritmos previamente sincronizados cursam em períodos diferentes.
Por exemplo, o nível de actividade flutua ao longo do dia, tendo um pico a determinada hora do dia, nuns casos de manhã cedo, noutros casos para o fim da tarde. Diversos estudos sugerem que os indivíduos noctívagos se adaptam bem aos turnos da noite e mal aos turnos da manhã, enquanto os indivíduos matinais se adaptam bem aos turnos da manhã e mal aos turnos da noite (dormem menos).
Outros autores afirmam que os trabalhadores do turno da manhã, tendem a acordar muito cedo para trabalharem, enquanto a hora de deitar não é antecipada. Disto resulta uma diminuição na duração de sono, sono paradoxal. Os trabalhadores do turno da tarde não sofrem alterações significativas no seu sono, pois embora se deitem mais tarde não necessitam de acordar cedo. Os trabalhadores do turno da noite têm grandes perturbações no sono diurno, tanto na sua estrutura quanto na sua duração, que é bem menor que a de um sono nocturno.
Para além das implicações da permanente alteração do ritmo circadiano de cada um, os enfermeiros encontram-se na posição de ter exigências emocionais elevadas no seu trabalho, na privação emocional e social fora da sua ocupação. Enquanto trabalhamos por turnos a vida social e familiar decorre ininterruptamente num curso difícil de acompanhar. Daí que tendamos – na minha visão, sublinhe-se – a escolher amigos e companheiros da mesma profissão ou com estilos de vida semelhantes. É francamente mais fácil encontrar um nível de compreensão e empatia entre os que enfrentam as mesmas dificuldades.
Tal como muitos outros profissionais, deparei-me muitas vezes com o cansaço extremo duma ou de várias noites de trabalho. Em certas ocasiões é difícil acompanhar o curso normal da vida social e familiar, está quase sempre dependente de o colega aceitar a troca.
Mas, para mim, mais difícil que trabalhar na noite de Natal ou manhã de Ano Novo, é raramente poder fazer planos a longo prazo.
Olá Lola, obrigada pela visita. Tenho muito interesse em saber se esse tipo de horário funciona mesmo, depois diz qualquer coisa.Beijinhos
Afixado por: Cris em abril 13, 2004 10:35 PMola a todos!
eu concordo com vosses, nos en hospital virgen del rocio de sevilla en unidade de cuidados vamos a probar un novo turno de 12 horas
trabalhamos o primeiro dia de 8:00a.m. a 8:00p.m.
a o dia siguiente de 8:00p.m. a 8:00a.m. estamos 4 dias de folga. Nos pensamos que con este roma podemos aprobeitar mas o tempo. en inicio van probar so 3 unidades das 6 que forman la uci, vamos que ver que tal funciona. De esta maneira temos meses que no trabalhamos ningun fin de semana enteiro.
Obrigada, pela dedicação, apesar de todas as dificuldades inerentes a essa profissão. beijo
Afixado por: Maria em março 30, 2004 06:00 PMRevejo-me muito nas opiniões aqui demonstradas. Se é certo que o trabalho por turnos é necessário, também é um facto que estes horários afectam tantas vezes a nossa vida familiar, como a nossa saúde mental e física. Gostaria que estas opções fossem mais valorizadas, pelo que passa por todos nós saber conscencializar a opinião pública. Estes "sacríficios", na minha opinião, não são valorizados pela sociedade em geral.
Afixado por: Carlos em março 29, 2004 09:13 PMEu trabalhei por turnos durante 5 anos. Penso que ainda hoje me ressinto desse período. O que mais me custava era dormir durante o dia. Os barulhos inerentes à vida que se fazia sentir em redor, diminuíam a qualidade do sono e encurtavam-no diversas vezes. O (mau) humor era uma constante. Não descansava o suficiente, não sabia a que horas terminaria o turno - era até acabar, ou na pior das hipóteses até o colega chegar de manhã, não tinha qualquer compensação extraordinária, etc. A vida social e privada ressentia-se como é óbvio. O tempo que passava a dormir (dia) ou a trabalhar (noite) era tempo que roubava à família. Por agora, e desde há dois anos, está-me a saber muito bem o horário diurno. ;)
Afixado por: João em março 29, 2004 09:29 AMe viva a psicossomatica!
a verdade é simples por ironia do destino, por aceitarmos o desafio de cuidar de vidas... deixamos tanta vez de saber cuidar da nossa vida...
só por isto, ser enfermeiro não é ter uma profissão, é um estilo de vida, é saber dar-se a si próprio...
eu gosto desta visão romântica da questão... prefiro não pensar que existe gente que apenas pensa no dinheiro e na maximização do seu ego...
O marquês só vem perguntar se já pode confirmar a sua participação no almoço do próximo ano no dia 18 de Março às 12:31:24.
Afixado por: TNT em março 29, 2004 12:06 AM