abril 04, 2004

a praia da china

Não consigo explicar precisamente os motivos que me levaram a abraçar esta profissão. Sei o que procurava, compreendo o fio condutor desta escolha. No fundo, procurei uma profissão com um sentido e identidade próprias, que conciliasse aspectos técnicos e humanos, aspectos científicos e filosóficos. Não posso é negar a influência que algumas séries e filmes dos anos 80/90 exerceram sobre as minhas opções de vida. Por exemplo, a série sobre a enfermagem no Vietname, A Praia da China.

Esta série, produzida pela cadeia americana ABC, retratava a realidade duma base americana no Vietnam. Para além de proporcionar uma visão crítica sobre a guerra e sobre os países envolvidos, permitiu obter uma visão sobre as vivências do pessoal de enfermagem em clima de guerra. Mais do que se resumir à típica série pontuada com situações de drama e romance, esta série possibilitou focar a atenção na perspectiva feminina da guerra, na actuação das mulheres e, nomeadamente, nas enfermeiras.

Colleen McMurphy (Dana Delany) era a enfermeira principal desta base e era da sua experiência e perspectiva analítica que nascia e se desenrolava a acção. K.C. (Marg Helgenberger) era uma prostituta atraente mas endurecida pela guerra, da qual obtinha proveitos económicos e comerciais. Da interacção destas duas personagens centrais e do restante corpo de personagens, emergia uma acção rica em dramas éticos de vida/morte, em relações de amizade e de amor nascidas e tragicamente interrompidas.

Algumas das cenas apresentadas foram ficcionadas a partir de relatos de enfermeiras que participaram na guerra do Vietnam e de quem falarei num post posterior. O tema musical escolhido foi "Reflections", um êxito de Diana Ross and the Supremes, 1968. A Praia da China é uma série que continua a suscitar controvérsia e tem um lugar de destaque na história televisiva.

Publicado por Cris em abril 4, 2004 08:51 PM
Comentários

Por acaso achei uma das melhores séries que já vi, ficava acordada até tarde para a ver...adorava a música tanto, tanto, que tive de comprar o CD da Diana Ross só por causa da canção!..:)

Afixado por: um ponto azul em abril 6, 2004 01:48 PM

Eu também me lembro dessa série. Quando era pequeno, queria como todos os putos, ser piloto (aviador). Depois com o passar dos anos dourados de criança, pensei seriamente em ser médico, desistindo contudo mais tarde desta pretensão, ainda hoje não sei bem porquê... O mundo hospitalar, apesar das suas pressões, dos seus horários, da forte convivência com os fracassos da vida, também, por vezes, nos dá alegrias difíceis de suplantar, quando se consegue enganar esses fracassos e restaurar a vida num paciente. Por vezes a linha que separa a vida da morte é ténue, mas a capacidade de resposta (muitas vezes sobre-humana) dos pessoal de enfermagem e médicos, conseguem que essa linha se torne progressivamente mais forte. Só é pena que alguns burocratas, estraguem nas secretarias o esforço dos outros no "campo de batalha".

Afixado por: João em abril 5, 2004 10:25 AM

Pois o marquês também foi influenciado pela TV. Virou tio. Mas penso que houve grandes séries que motivaram as pessoas para profissões sociais. Hoje já não se passa isso.

Afixado por: TNT em abril 4, 2004 10:41 PM