A medicina e a ciência evoluíram de tal forma que hoje em dia é possível que muitas doenças sejam tratadas em regime de ambulatório. A par disso, a crise económica afecta seriamente os serviços de saúde que se vêem pressionados a reduzir ao essencial o número e duração dos internamentos.
Todos os dias invariavelmente, pelo raiar da manhã, inúmeras ambulâncias e outras viaturas afins despejam doentes nos serviços hospitalares. Ao fim do dia o fenómeno repete-se – desta vez em sentido contrário.
Independentemente da afabilidade e das competências técnicas e humanas dos bombeiros, as pessoa são conduzidas em «veículos de transportes de doentes» e em condições que deixam muito a desejar. O circuito de entrega e recolha nem sempre é traçado dentro dos limites da razoabilidade e do bom senso. Muitas vezes – vezes demais – os doentes têm que esperar que os serviços abram ou que os bombeiros regressem para os recolher. São demasiadas horas numa cadeira ou numa maca, indispostos, cansados e longe do conforto do lar.
A propósito do licenciamento e legalização de ambulâncias, o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses comenta que a actividade de transporte de doentes seria economicamente inviável se houvesse uma fiscalização muito rigorosa da DGV e do INEM. Deste modo, vai-se permitindo que o transporte de doentes se efectue sem os requisitos básicos de segurança e conforto.
Publicado por Cris em junho 4, 2004 09:54 PMMuito obrigada Nat pelo seu desabafo. Acredito que todos os desabafos são úteis para denunciar todas as situações de injustiça ou de falha. O que se passou com o seu pai repete-se, infelizmente, inúmeras vezes. A verdade é que a assistência dos acidentados depende muito da boa vontade e, sobretudo, da boa formação ou preparação dos nossos bombeiros. Mais importante do que chegar ao hospital é a assistência no local do acidente mas, como em tudo na nossa sociedade – exceptuando o futebol – as carências são muitas. Por outro lado, o transporte de doentes aos locais de tratamento tem de ser efectuado por alguém, por alguém competente e fiável que não lucre com o sofrimento alheio. Obrigada pela visita.
Afixado por: Cris em junho 29, 2004 08:51 PMNão sou médica mas julgo q o transporte de doentes deve ser feito nas mínimas condições. O meu pai teve uma érnia discal que o deixou sem andar durante semanas e com dores brutais. Numa das vezes em q foi transportado para realizar um exame de preparação para a cirurgia os bombeiros condutores da ambulância preocuparam-se mais em activar a sirene e andar a 120 KM Hora pelas ruas de Lisboa, enquanto eu tentava segurar o mau pai à maca. Ninguém quis saber do seu sofrimento, o que quiseram foi despachar o serviço. Uma vergonha, principalmente porque dias depois teve que ir de urgência na ambulância do INEM e o condutor não passou dos 20 à hora, se tanto, devido à gravidade do caso. Acho que tempo é mesmo dinheiro! pelo menos para quem lucra com o sofrimento dos outros. Desculpem o desabafo e parabéns por este ponto de encontro.
Afixado por: Nat em junho 29, 2004 04:31 PMDesconheço o contexto em que o Presidente da Liga de Bombeiros terá proferido esse comentário, mas a menos que essa expressão só faça sentido em um contexto muito particular, estas afirmações são de extrema gravidade. Todos nós que trabalhamos na Saúde sabemos que por vezes as situações não são ideais, mas nem por isso fugimos á sua responsabilidade, nem deixamos que uma situação má se mantenha.
A actividade de transporte de doentes por parte dos Bombeiros não deve ser "económicamente viável", pois tratam-se de entidades não lucrativas. Se os custos são excessivos, talvez devesse ser revisto o quadro de apoios a estas entidades e outras que prestam estes serviços. Agora não há pachorra para cantigas de coitadinho, quando quem sofre são aqueles que realmente necessitariam de protecção.
Se não se fiscalizar poupa-se nos vencimentos dos fiscais e na melhoria das condições. O que é preciso mais? Os sucessivos políticos que têm governado o país afinal não são tão incompetentes.
Poupa-se muito dinheiro em coisas fúteis e assim já se podem oferecer vencimentos de 23.000 Euros a mais alguém que vai tentar alterar o inalterável em algumas gerações - os funcionários públicos.
Peço desculpa pela generalização, quando digo funcionários públicos refiro-me aos administrativos que só fazem número e falam de novelas, big brothers, etc, etc.
Tenho que deixar de fora professores, médicos e claro enfermeiros, verdadeiros heróis que fazem com que este país ande para a frente em condições muito adversas. Boa semana
Se as entidadades fiscalizadoras se dignassem a fiscalizar e a obrigar - qualquer que fosse - a entidade fiscalizada, a cumprir os requisitos de segurança... este país parava.
Ps: Gostei do "transporte" para o novo alojamento. Beijinhos.